Vitória, segunda-feira 2 de novembro de 2026
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Protesto na Índia reúne dezenas de milhares em Nova Délhi e pede renúncia do chefe da comissão eleitoral

Dezenas de milhares protestaram em Nova Délhi contra a revisão das listas de eleitores e pediram a renúncia do chefe da comissão eleitoral da Índia.

Por Roberto Andrade ·
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Multidão colorida de manifestantes com cartazes em branco erguidos diante de um prédio público de cúpula e colunas, sob um céu alaranjado de fim de tarde, com uma urna de votação em primeiro plano.
Ilustração: Repórter Capixaba

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste domingo (1º) em Nova Délhi para um protesto na Índia organizado pela aliança de oposição INDIA e liderado pelo Partido do Congresso. O ato cobra a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, em meio à polêmica sobre a revisão das listas de eleitores do país.

O encontro reuniu boa parte das principais lideranças da aliança, em uma demonstração de força contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi. Os manifestantes agitavam bandeiras e gritavam slogans como “Salvem o voto, salvem o país” e “Ladrão de votos, devolva o poder”.

A concentração ocorreu no Ramlila Maidan, uma grande área no centro da capital, conhecida por sediar eventos políticos e culturais de grande porte. Parte do público cantou e dançou ao som de músicas patrióticas de Bollywood, enquanto outros aguardavam sob um grande toldo nas cores da bandeira indiana.

O protesto é o mais recente de uma série de manifestações sobre a revisão das listas de eleitores. A oposição afirma que o processo removeu eleitores aptos para favorecer o Partido Bharatiya Janata (BJP), legenda de Modi. O BJP e a comissão negam as acusações.

No centro da disputa está a chamada Revisão Intensiva Especial (SIR, na sigla em inglês), que já resultou na remoção de mais de 130 milhões de nomes das listas preliminares. Segundo a comissão, o objetivo é eliminar registros duplicados, de pessoas falecidas, de quem mudou de endereço ou é inelegível. Eleitores excluídos por engano podem pedir a restauração de seus nomes.

A polêmica se intensificou em setembro, quando uma reportagem de um jornal indiano apontou que Kumar tomou decisões-chave sobre a revisão mesmo diante de objeções reiteradas de outros dois comissários. A comissão afirmou que divergências são normais em qualquer instituição e não afetam seu funcionamento.

O ato de domingo se soma a semanas de protestos, incluindo manifestações de grupos estudantis e do Cockroach Janta Party (CJP), movimento liderado por jovens. O CJP apoiou a concentração, mas não participou, pois seu fundador, Abhijeet Dipke, disse que o grupo quer manter independência em relação aos partidos tradicionais. No mês passado, Rahul Gandhi liderou uma marcha de dezenas de milhares de pessoas do Connaught Place até a Suprema Corte.

O evento foi realizado sob condições impostas pela polícia de Délhi, como o encerramento da concentração até as 17h, a instalação de câmeras de monitoramento e a proibição de marchas para fora do local designado. As restrições vêm em meio a tensões sobre a atuação policial: em 10 de outubro, lideranças do CJP foram detidas em protestos contra Kumar, e repórteres presentes relataram policiais arrastando manifestantes e batendo em alguns com cassetetes.

Já no Ramlila Maidan o clima foi, em grande parte, pacífico, com pessoas de diferentes idades e profissões. “Não sabemos nem se este é um mandato do povo ou um mandato roubado”, disse Isha, profissional do setor de desenvolvimento de Délhi. O advogado Deepro Guha afirmou estar preocupado: “Se os nomes das pessoas são retirados sem qualquer explicação, há um problema.”

Em seu discurso, Rahul Gandhi disse que a multidão enviou uma mensagem a Modi, ao ministro do Interior, Amit Shah, e a Kumar. “Esta não é a voz de um único partido político ou de políticos. É a voz da juventude, das mulheres, dos agricultores e dos trabalhadores da Índia”, afirmou. Ele também acusou Kumar de tentar silenciar a voz do povo.

Pelo lado do governo, o dirigente do BJP e ministro federal JP Nadda classificou o ato como “uma trama calculada para mergulhar a nação na anarquia, em nome da democracia”. Modi não comentou diretamente o protesto, mas, em comícios na sexta-feira (30) e no sábado (31), acusou os partidos de oposição de tentar criar caos e desrespeitar a Constituição.

No sábado (31), líderes da oposição também realizaram um impeachment simbólico de Kumar. O gesto não tem validade jurídica, já que, pelas leis indianas, o chefe da comissão só pode ser afastado por meio de um processo formal no Parlamento. Ainda assim, o ato reforça a unidade da INDIA, aliança formada em 2023 para enfrentar o BJP nas urnas.

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