Data de nascimento em cadastros online pode facilitar golpes; saiba como proteger
Informar a data de nascimento em cadastros online pode ajudar golpistas a montar perfis falsos; especialistas recomendam limitar os dados compartilhados.
Um telefonema do banco avisando sobre atividade suspeita na conta parece legítimo quando a pessoa do outro lado lê seu nome, seu endereço e sua data de nascimento. Nesse caso, porém, quem liga pode ser um criminoso que obteve esses mesmos dados e os usa para ganhar sua confiança.
Especialistas em segurança digital recomendam evitar informar a data de nascimento em cadastros online sempre que possível, ou usar uma data falsa quando o campo não for obrigatório. A ideia é limitar a quantidade de dados pessoais disponíveis na internet e dificultar que golpistas juntem essas informações para montar perfis completos.
O problema está nos cadastros feitos para compras em lojas, programas de fidelidade, boletins informativos e sorteios online. Muitas dessas bases guardam a data de nascimento junto com outras informações. Em um vazamento recente da loja online britânica Asos, as datas de nascimento dos clientes estavam entre os dados roubados.
Segundo o consultor da empresa de cibersegurança ESET, Jake Moore, a data de nascimento sozinha tem pouco valor para criminosos. Combinada com nomes, telefones e outras informações, porém, ela pode ajudar na prática de fraude de identidade. Os dados vazados podem ser vendidos e usados para enganar a vítima ou para se passar por ela.
Um levantamento do pesquisador Alexandre François, da empresa de inteligência WhoisXML API, mostrou que oito de 14 varejistas consultados pediam a data de nascimento no cadastro. Para o especialista, as lojas têm pouco incentivo para retirar esse campo, já que a data permite saber a idade do cliente, o que é útil para marketing e segmentação.
Os efeitos de um vazamento nem sempre aparecem logo. Segundo Serpil Hall, especialista em segurança da Datos Insights, os dados roubados podem parar na chamada dark web e ser usados para tornar e-mails de phishing mais convincentes. Criminosos também podem tentar se passar pelo cliente em centrais de atendimento. Com o tempo, dados vazados somados a informações públicas, como perfis em redes sociais, ajudam a criar um retrato mais completo da pessoa.
Algumas medidas ajudam a reduzir o risco. Desconfie de quem entra em contato sem aviso, mesmo que pareça ter muitas informações sobre você. Ao se cadastrar em sites de baixo risco, prefira não preencher campos que não sejam obrigatórios. Também é possível usar um e-mail separado para compras online, que pode ser descartado caso seja envolvido em um vazamento.
Para comprar, normalmente bastam os dados do cartão e o endereço de entrega. Há exceções, como a compra de produtos com restrição de idade, em que pode ser preciso comprovar a idade. Já instituições oficiais, como bancos, órgãos de tributação, de habilitação para dirigir e de emissão de passaporte, costumam exigir a data de nascimento real, pois ela ajuda a confirmar a identidade.
Se o campo for opcional, a recomendação é deixá-lo em branco. Caso não seja possível, o especialista sugere usar sempre a mesma data em todos os sites, por exemplo o primeiro dia do mês de nascimento, para não esquecê-la. Quando houver aviso de vazamento envolvendo uma empresa, vale ficar atento a contatos que citem esses dados.



