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Estrela verde: astrônomos descrevem anã branca que brilha em tom esverdeado

Anã branca WD J1330+6435 teria tom verde-chartreuse, segundo estudo liderado pela Universidade de Warwick; a cor vem da atmosfera densa do astro.

Por Roberto Andrade ·
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Estrela verde: astrônomos descrevem anã branca que brilha em tom esverdeado
Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

Estrelas raramente aparecem em branco puro, e o verde é uma das cores mais raras no céu. Agora, pesquisadores descreveram uma estrela verde de fato: trata-se de uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que já morreu. O objeto, chamado WD J1330+6435, teria um tom verde-chartreuse se pudesse ser visto de perto.

O Universo exibe estrelas em vermelho, azul, amarelo e laranja, mas algumas faixas de cor quase não aparecem nesse conjunto. Segundo o estudo, anãs brancas podem ser justamente os únicos objetos capazes de brilhar em tons considerados ‘proibidos’, como verde, roxo e ciano.

A cor de uma estrela depende do equilíbrio entre os comprimentos de onda que ela emite. Em geral, quanto mais quente o astro, mais luz em tons azulados; quanto mais frio, mais luz em tons avermelhados. Por isso, uma estrela pode ter seu pico de emissão no verde e, ainda assim, parecer branca ou amarela, já que emite luz em todas as outras faixas.

As anãs brancas se formam quando uma estrela ejeta suas camadas externas após esgotar o combustível da fusão nuclear. Sem essa fonte de energia, o núcleo exposto brilha apenas com o calor residual. Mesmo assim, ele é extremamente compacto: pode reunir até 1,4 massa solar em um corpo com o tamanho aproximado da Terra.

A gravidade desses objetos é tão intensa que as atmosferas das anãs brancas mais frias podem atingir densidades comparáveis à da água líquida, milhões de vezes maiores que a do Sol. Nessas condições, os átomos ficam tão próximos que interagem entre si e alteram a forma como absorvem a luz.

A equipe, liderada pelo astrofísico Mark Hollands, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, selecionou dezenas de anãs brancas já classificadas como espectralmente incomuns. Os pesquisadores calcularam as cores que cada uma teria para o olho humano, e a WD J1330+6435, com temperatura superficial de 4.240 kelvins, apresentou o tom mais surpreendente do grupo.

Na atmosfera desse objeto, o sódio absorve uma ampla faixa de luz laranja e amarela, enquanto o cálcio suprime o violeta. Com isso, o verde escapa e passa a dominar a emissão. Nas palavras de Hollands, “os vestígios de sódio na atmosfera dessa anã branca absorvem a parte laranja do espectro, deixando para trás um brilho verde fantasmagórico”.

Os cientistas também identificaram lítio na estrela, além de sódio e cálcio. Esses elementos são típicos de material rochoso, o que sugere que a anã branca tenha absorvido restos do seu antigo sistema planetário muito depois de morrer. Esse tipo de evidência interessa à necroplanetologia, área que estuda os vestígios de sistemas planetários mortos.

Em uma amostra de 152 anãs brancas próximas, apenas cinco, cerca de uma em cada 30, apresentaram cores significativamente diferentes das previstas apenas pela temperatura. Os pesquisadores ressaltam que nem toda cor incomum indica esse tipo de canibalismo planetário, mas que as cores podem revelar detalhes da química dessas estrelas.

O estudo foi publicado na revista RAS Techniques and Instruments. Mesmo depois de apagadas, essas estrelas seguem revelando o que aconteceu com os mundos que as cercavam, e a estrela verde estudada agora é mais um exemplo disso.

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