Vitória, quinta-feira 22 de outubro de 2026
Ano XXXV
Últimas
Espírito Santo

Golpe do falso advogado já tem 1.300 denúncias no Espírito Santo

A OAB-ES já recebeu mais de 1.300 denúncias de golpe do falso advogado e orienta a confirmar qualquer cobrança diretamente com o advogado responsável.

Por Roberto Andrade ·
Compartilhe:

O golpe do falso advogado já soma mais de 1.300 denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES). Nessa modalidade, criminosos se passam por profissionais da advocacia e entram em contato com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagens, para cobrar taxas ou custas que não existem.

Uma das abordagens mais comuns é a mensagem no WhatsApp informando que um processo judicial foi concluído e que há dinheiro disponível para recebimento. Para liberar o valor, o destinatário é pressionado a pagar uma suposta taxa.

Segundo a OAB-ES, os golpistas usam dados verdadeiros de processos judiciais, nomes e até fotografias de advogados para ganhar a confiança das vítimas. Por isso, a existência de um processo real não garante que a cobrança seja legítima.

O secretário-geral da entidade, Eduardo Sarlo, orienta que quem receber esse tipo de contato não se desespere nem faça pagamentos imediatamente. “Quem receber uma ligação ou mensagem desse tipo não deve se desesperar nem realizar pagamentos imediatamente”, recomenda. A orientação é confirmar a cobrança com o próprio advogado, pelos canais já conhecidos, ou procurar o escritório e a unidade judicial onde o processo tramita.

Para checar a identidade profissional de quem fez o contato, a população pode usar a plataforma ConfirmADV, divulgada pela própria entidade. Entre as demais orientações estão desconfiar de promessas de liberação de valores condicionadas a pagamento antecipado, não enviar documentos ou dados pessoais e bancários a contatos desconhecidos e não considerar nomes, fotos ou informações reais de processos como prova de autenticidade.

A OAB-ES informa que ajuizou uma ação civil pública contra operadoras de telefonia e contra a Meta, responsável pelo WhatsApp, para que sejam adotados mecanismos que dificultem o uso dos serviços nas fraudes. A entidade também pediu ao Banco Central medidas para aprimorar a identificação e o bloqueio de contas e chaves Pix usadas nos golpes, e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a fiscalização das linhas telefônicas utilizadas pelos criminosos.

As denúncias recebidas por um formulário no site da OAB-ES foram encaminhadas aos órgãos competentes para investigação. A entidade também criou um comitê de trabalho com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o Ministério Público Estadual (MPES) e a Polícia Civil para compartilhar informações e discutir formas de enfrentamento.

Além do prejuízo financeiro às vítimas, o golpe atinge advogados que têm nomes, imagens e dados usados sem autorização. A presidente da OAB-ES, Erica Neves, afirma que a utilização criminosa da identidade de profissionais compromete a relação de confiança com a população e orienta que os advogados esclareçam aos clientes, desde o início e inclusive nos contratos, como serão feitos os contatos sobre processos.

Quem cair no golpe deve preservar mensagens e comprovantes, registrar boletim de ocorrência e comunicar o caso à OAB-ES pelo formulário disponível no site da instituição. Vítimas e profissionais que tiverem a identidade usada devem seguir o mesmo caminho.

Compartilhe:

Leia também