Fome durante o emagrecimento: por que ela aumenta e como lidar com isso
Entenda por que o organismo aumenta a fome ao emagrecer, o papel da grelina e da leptina e quando buscar acompanhamento profissional.
A fome durante o emagrecimento costuma ser um dos maiores desafios de quem quer perder peso, e não se trata de falta de força de vontade. Segundo especialistas, o organismo reage à perda de gordura com mecanismos que tentam recuperar as reservas de energia, o que pode aumentar o apetite, reduzir a sensação de saciedade e diminuir o gasto energético.
Essa resposta é fisiológica. Mesmo quem segue corretamente um planejamento alimentar pode sentir mais fome ao longo do processo, o que torna a perda de peso e, sobretudo, a manutenção dos resultados mais difíceis.
Dois hormônios ajudam a explicar o fenômeno. A grelina, produzida principalmente pelo estômago, estimula a fome. Já a leptina, produzida pelo tecido gorduroso, ajuda a regular a saciedade. Durante o emagrecimento, os níveis de grelina podem subir, enquanto os de leptina tendem a cair, já que a produção desse hormônio acompanha a quantidade de gordura corporal.
Para a endocrinologista Claudia Schimidt, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, o organismo interpreta a redução das reservas de gordura como uma possível perda de energia que precisa ser compensada. Com a queda da leptina, o cérebro recebe sinais de que as reservas diminuíram, o que contribui para o aumento do apetite. Essas adaptações podem persistir mesmo depois que a pessoa alcança o peso desejado.
Por isso, o objetivo do tratamento não é eliminar a fome, que é um sinal natural do corpo, mas torná-la manejável sem comprometer a nutrição nem a qualidade de vida. Segundo a endocrinologista Mariana Munhoz, do Delboni, as estratégias devem considerar o estado de saúde, a rotina, o nível de atividade física e as necessidades nutricionais de cada pessoa.
Não existe uma fórmula única para controlar a fome. O acompanhamento profissional permite ajustar o planejamento alimentar às respostas do organismo. Quando há indicação clínica, os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 são uma das opções para o tratamento da obesidade, pois atuam na regulação do apetite e da saciedade. Eles, porém, não são indicados para qualquer pessoa que sinta fome e exigem avaliação médica.
Schimidt ressalta que não ter fome não deve ser o objetivo do tratamento. A proposta é ajudar o paciente a reconhecer a saciedade, fazer escolhas alimentares e lidar melhor com o pensamento constante em comida, fenômeno conhecido como food noise.
Sentir mais fome, contudo, não significa necessariamente compulsão alimentar. O principal sinal de alerta é a perda recorrente de controle sobre a alimentação, com episódios de ingestão de grande quantidade de comida acompanhados de culpa, vergonha ou sofrimento emocional. Nesses casos, Munhoz orienta procurar avaliação profissional, que pode envolver acompanhamento médico, nutricional e psicológico.
Em resumo, a fome durante o emagrecimento pode ser uma resposta fisiológica esperada, enquanto a perda recorrente de controle exige atenção específica. Entender essa diferença ajuda a construir um tratamento mais individualizado, sustentável e seguro.



