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Cetirizina na vagina: farmacêuticos do Quênia alertam contra tendência nas redes sociais

Farmacêuticos do Quênia alertam que o uso de cetirizina na vagina, tendência nas redes sociais, é inseguro e pode causar lesões.

Por Roberto Andrade ·
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Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

A Sociedade Farmacêutica do Quênia (PSK) alertou nesta quinta-feira (5) contra a prática de inserir comprimidos de anti-histamínico na vagina. A tendência, espalhada nas redes sociais, sugere o uso de cetirizina na vagina para apertar o canal vaginal e aumentar o prazer sexual.

A cetirizina é um anti-histamínico de venda ampla, usado para aliviar espirros, coriza, coceira nos olhos e reações na pele, como urticária. Vídeos publicados no TikTok começaram a afirmar que o remédio reduziria a umidade vaginal e criaria uma sensação de aperto durante a relação sexual, o que provocou debate entre os usuários: alguns defendem a prática e outros questionam sua segurança.

Especialistas explicam que anti-histamínicos podem causar ressecamento como efeito colateral, mas isso não fortalece a musculatura vaginal. Segundo a PSK, secura não é aperto. Ao contrário, pode aumentar o atrito, o desconforto e o risco de lesão nos tecidos.

A entidade lembra que a cetirizina é feita para ser engolida e que seus ingredientes não foram testados em tecidos delicados da vagina. O remédio não é aprovado nem testado para nenhum uso vaginal.

Para quem já experimentou, a orientação é parar imediatamente. A PSK recomenda procurar um médico em caso de dor, sangramento, ardência, coceira, corrimento incomum ou febre. Também pediu que influenciadores e criadores de conteúdo tenham cuidado ao divulgar informações de saúde, já que alegações não verificadas podem colocar vidas em risco.

A entidade também pediu que varejistas não explorem a tendência. Houve relatos de alta de procura, aumento de preço e falta do medicamento em algumas farmácias, sobretudo na capital, Nairóbi. Como quem tem alergia de verdade pode ter dificuldade para encontrar o remédio, a PSK orientou que os farmacêuticos não dispensem medicamentos que sabem que serão usados de forma indevida e que comuniquem efeitos adversos às autoridades de saúde.

O alerta vem um dia depois de o Ministério da Saúde do Quênia manifestar preocupação com a tendência. Ouma Oluga, um alto funcionário da área, afirmou que alguns usuários tratam as orientações médicas como piada, sem considerar as possíveis consequências. Ele sugeriu a criação de um sistema para acompanhar a distribuição e a compra de medicamentos e identificar possíveis usos indevidos, mas nenhuma decisão formal foi anunciada até agora.

Diante de conteúdos virais sobre saúde, a recomendação da entidade é simples: antes de usar qualquer medicamento para um fim diferente do indicado na bula, converse com um farmacêutico ou médico.

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