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Eleição em Israel: disputa para formar governo ganha peso com bancada árabe recorde

Partidos árabes conquistam recorde de cadeiras na eleição em Israel e podem decidir se Netanyahu ou Eisenkot terá a chance de formar o governo.

Por Roberto Andrade ·
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Urna de votação verde com cédulas caindo sobre um prédio de parlamento de colunas e cúpula, ao lado de uma balança cujo prato da direita pesa mais, sugerindo um voto decisivo, sobre fundo bege com sol discreto.
Ilustração: Repórter Capixaba

A eleição em Israel, realizada na última terça-feira (27), deixou o país sem maioria clara e colocou os partidos árabes no centro da disputa pelo próximo governo. Com a apuração, a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu caiu de 68 para 53 cadeiras no Parlamento, a Knesset, que tem 120 vagas.

O bloco de oposição Mudança, liderado pelo general da reserva Gadi Eisenkot, obteve 48 cadeiras. O número ainda fica abaixo das 61 necessárias para formar maioria. Já os partidos árabes somaram um recorde de 19 cadeiras: a Lista Conjunta, comandada por Yousef Jabareen, tem 11, e o Ra’am, de Mansour Abbas, tem oito.

O comparecimento dos árabes israelenses, que representam cerca de 20% da população, mais que dobrou e chegou a cerca de 80%. Palestinos que vivem na Cisjordânia e em Gaza não puderam votar.

Jabareen afirmou que a prioridade dos eleitores árabes é tirar Netanyahu do poder, sobretudo os ministros de extrema direita Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças. Ele citou demolições de casas, violência de gangues dentro das comunidades árabes, falta de recursos para municípios e escolas e episódios de racismo e violência policial. Em entrevista recente, disse que o momento é «historicamente importante» para mudar políticas em relação à comunidade árabe e ao povo palestino.

A Lista Conjunta não pretende integrar o governo, mas poderá apoiá-lo de fora, com votos táticos no Parlamento. Segundo Jabareen, «não planejamos estar na coalizão» e, enquanto a ocupação da Cisjordânia continuar, o partido «não pode fazer parte de um governo». O Ra’am, por sua vez, sinalizou disposição de integrar uma coalizão liderada por Eisenkot.

Eisenkot descartou um governo de união com Netanyahu, mas impôs condições aos partidos árabes: reconhecer Israel como Estado judeu, aceitar o serviço nacional obrigatório, civil ou militar, e condenar o Hamas como organização terrorista. Lieberman, líder da oposição de direita, é apontado como o mais resistente a uma aliança com as legendas árabes.

Netanyahu, que responde a um processo por corrupção, acusou sem apresentar provas os partidos árabes de usarem recursos do Catar de forma ilegal na campanha. Jabareen rejeitou a acusação e a classificou como tentativa de deslegitimar a força política árabe.

O resultado deve ser certificado na quarta-feira (4), e o presidente Isaac Herzog começará a ouvir os líderes partidários para saber quem deve tentar formar o governo. O escolhido terá 28 dias para negociar uma coalizão, prazo que pode ser prorrogado por mais 14 dias. Os novos parlamentares tomam posse em 10 de novembro, independentemente das negociações.

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