Vitória, domingo 1 de novembro de 2026
Ano XXXV
Últimas
Europa

Protestos na Alemanha contra custo de vida terminam em violência e saques

Protestos contra o custo de vida na Alemanha terminam com confrontos e saques em Frankfurt, Berlim, Colônia e Hamburgo, com policiais feridos e presos.

Por Roberto Andrade ·
Compartilhe:
Cena ao entardecer com silhueta de prédios de uma cidade, um grupo de manifestantes genéricos de costas no meio da rua, uma viatura policial com sirene acesa à direita e uma fita de isolamento amarela no primeiro plano.
Ilustração: Repórter Capixaba

Os protestos na Alemanha contra o custo de vida terminaram em violência e saques no sábado (31), com confrontos entre manifestantes e a polícia em Frankfurt, Berlim, Colônia e Hamburgo. Em Frankfurt, principal centro financeiro do país, vitrines foram quebradas e lojas invadidas durante a noite, e a polícia isolou uma grande parte da principal rua de comércio da cidade.

Segundo a polícia, manifestantes atiraram fogos de artifício, pedras e garrafas contra agentes de emergência, e as forças de segurança usaram canhões de água para dispersá-los. Em Frankfurt, coquetéis molotov foram lançados contra equipes de emergência, e uma loja de armas teve as vitrines quebradas. Duas armas foram apreendidas depois da prisão de um suspeito, e outras lojas foram invadidas por pessoas que levaram itens como tênis.

Os atos começaram de forma majoritariamente pacífica. Milhares de pessoas participaram das manifestações organizadas pelo grupo Gen Z regelt, que pode ser traduzido como algo próximo de Geração Z assume o controle. Os protestos criticam a falta de verbas para escolas, o custo de vida elevado, os cortes nos gastos públicos e o serviço militar obrigatório.

Autoridades de Frankfurt, Munique e Berlim contabilizaram até 18 mil manifestantes, cerca de metade do número estimado pelos próprios organizadores em seu site. A mídia alemã, por sua vez, fala em dezenas de milhares de pessoas nas cidades do país no sábado. Em Berlim, um ato menor à noite deixou 27 policiais feridos e até 56 pessoas detidas temporariamente. Em Hamburgo, pessoas vestidas de preto soltaram fogos de artifício e incendiaram barricadas, e a emissora pública NDR informou que 120 pessoas foram presas.

Em Colônia, policiais foram atacados perto da estação central de trem, com garrafas arremessadas e uma bicicleta lançada. O chefe da polícia local, Johannes Hermanns, disse lamentar que jovens que queriam protestar pacificamente pelo seu futuro tenham sido infiltrados por extremistas interessados apenas na violência.

O ministro do Interior federal, Alexander Dobrindt, afirmou ao jornal Bild que a polícia evitou, durante a noite, uma violência semelhante à registrada recentemente em Paris, e defendeu punições duras para os responsáveis pelos saques e ataques. Já o ministro do Interior do estado de Hesse, Roman Poseck, disse que cerca de 100 extremistas de esquerda claramente identificados se infiltraram no protesto de Frankfurt e considerou vergonhosa a forma como as manifestações terminaram. Segundo a polícia, a situação na cidade se acalmou durante a madrugada de domingo.

Os protestos alemães acontecem em meio a uma onda de mobilizações lideradas por jovens em vários países europeus. Na França, mais de 320 mil pessoas também foram às ruas no sábado, no terceiro fim de semana seguido de atos majoritariamente pacíficos, e foram registradas mais de 770 prisões, segundo o Ministério do Interior francês. Na Itália, houve confrontos entre polícia e manifestantes em Roma e Turim. Em Portugal, a polícia desmontou um novo acampamento de barracas montado após marchas contra um projeto de lei de aluguéis.

De modo geral, as demandas variam de um país para outro, mas se concentram em moradia, qualidade da educação e cortes em serviços públicos. Na França, a promotoria abriu investigação por tentativa de homicídio depois que um policial foi atingido por um coquetel molotov.

Compartilhe:

Leia também