Vitória, domingo 1 de novembro de 2026
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Guerra na Ucrânia: ataques russos deixam milhares sem eletricidade; trégua em Olechky termina neste domingo

Ataques russos deixam centenas de milhares de casas sem eletricidade na Ucrânia, enquanto a trégua em Olechky chega ao fim neste domingo.

Por Roberto Andrade ·
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Cidade noturna em tons azulados com prédios iluminados e apagados, torres de energia com fios partidos e faíscas amarelas no meio, e um relógio analógico ao lado, sugerindo o fim de uma trégua.
Ilustração: Repórter Capixaba

Centenas de milhares de residências ficaram sem eletricidade neste domingo (1º) na Ucrânia, após a Rússia atingir infraestruturas energéticas em quatro regiões do país durante a madrugada. A informação foi dada pelo presidente Volodymyr Zelensky, que associou a ofensiva à falta de interceptadores de mísseis no país.

Em publicação no Telegram, Zelensky afirmou que “a intensidade dos ataques é muito elevada” e que os russos buscam explorar ao máximo a escassez desses equipamentos. Segundo ele, a Ucrânia aguarda há quase um mês a aprovação dos Estados Unidos para a entrega de interceptadores do sistema Patriot, considerado a arma mais eficaz para neutralizar mísseis balísticos de alta velocidade.

A demora aumentou as tensões entre Kiev e Washington. O atrito surge depois que o presidente Donald Trump anunciou um acordo sobre diesel com a Rússia e criticou Zelensky pela recusa da Ucrânia em interromper os ataques contra refinarias russas. Trump voltou a exigir a suspensão dessas ações, alegando que elas contribuem para a alta dos preços dos combustíveis.

Nas negociações de paz, Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, afirmou neste domingo que a próxima rodada de conversas deve ocorrer, ao menos no início, em formato trilateral, com Moscou, Kiev e Washington. Questionado sobre a participação de países europeus, ele disse que Moscou mantém contatos de trabalho com os americanos. Ainda assim, os esforços diplomáticos conduzidos por Washington seguem paralisados, sem avanços concretos.

Em Olechky, cidade ocupada pela Rússia no sul da Ucrânia, a trégua começou na terça-feira (27) para permitir a evacuação de moradores e deve terminar na noite deste domingo (1º). Considerado o cessar-fogo mais longo desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, o acordo permitiu que civis deixassem a região, marcada por minas terrestres, escassez de suprimentos e ataques constantes de drones.

Entre as famílias que saíram estavam uma mãe e duas filhas que deixaram a cidade em 2024 e, desde então, não viam o pai. Ele decidiu permanecer em Olechky com os animais, apesar das condições precárias, e sobreviveu a bombardeios diários com acesso esporádico à eletricidade, graças à energia solar e a um pequeno gerador. Segundo o relato da família, ele só contou detalhes sobre a situação na cidade três meses depois da separação.

Em Kherson, na margem oposta do rio Dnipro, a trégua também trouxe alívio aos moradores. Militares ucranianos, porém, afirmam que os combates devem ser retomados logo após a pausa. Uma fonte militar ucraniana disse que as forças russas aproveitaram o cessar-fogo para reforçar tropas, reabastecer munições e coletar informações sobre posições inimigas.

Autoridades instaladas por Moscou na região relataram mortes em ataques ucranianos em Lugansk e danos a uma grande refinaria na região russa de Níjni Novgorod. Os ataques contra instalações petrolíferas russas seguem como um dos principais pontos de divergência entre Kiev e Washington.

Para a população civil, o fim da trégua em Olechky significa voltar a conviver com bombardeios e falta de serviços básicos, enquanto as negociações de paz continuam sem avanços concretos.

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