Corvos tomam decisões duas vezes mais rápido que humanos e macacos, mostra estudo
Estudo da Universidade de Tubinga mostra que corvos decidem entre opções visuais cerca de duas vezes mais rápido que humanos e macacos, mantendo a precisão.
Corvos conseguem decidir entre duas opções visuais em cerca de 235 milésimos de segundo, menos de um quarto de segundo, e ainda assim mantêm alta precisão. É o que aponta um estudo publicado na revista Science, que comparou a velocidade dessas aves com a de humanos e primatas.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Tubinga, na Alemanha, que avaliaram duas gralhas-pretas, uma espécie de corvo, em um teste visual. Nele, as aves viam em uma tela sensível ao toque um conjunto de pontos brancos se movendo sobre um fundo preto, e precisavam identificar para qual lado a maioria deles se deslocava, bicando marcadores à esquerda ou à direita do aparelho.
Quando a maior parte dos pontos seguia na mesma direção, os corvos acertaram quase sempre, com taxa próxima de 100%. Mesmo quando apenas uma pequena parte se movia em conjunto, eles acertavam metade das vezes, resultado superior ao que seria obtido por acaso. Ao longo de várias rodadas, o tempo de reação se manteve rápido sem perda de precisão.
Os autores não testaram outras espécies diretamente. A comparação com estudos anteriores, feitos com humanos e macacos em situações semelhantes, indicou que os corvos decidiram cerca de duas vezes mais rápido.
Para entender o processo no cérebro, a equipe registrou a atividade de 248 neurônios de uma região chamada nidopallium caudolaterale. Ela é análoga ao córtex pré-frontal dos mamíferos, área ligada à tomada de decisões e à cognição de alto nível. Segundo o estudo, o estímulo visual ativa os neurônios em cerca de 70 milésimos de segundo, e a atividade atinge seu pico após mais aproximadamente 170 milésimos, momento em que o animal decide.
As semelhanças com o córtex pré-frontal levantam uma hipótese importante: o tipo de processamento sofisticado associado ao neocórtex dos mamíferos pode existir sem essa estrutura. Para os cientistas, o voo teria exigido respostas rápidas, como se orientar em ambientes tridimensionais, desviar de obstáculos e caçar, o que pode ter favorecido esse tipo de pensamento ágil ao longo da evolução.
Os resultados ainda são preliminares. Apenas dois pássaros participaram do experimento, e os pesquisadores não sabem por que os corvos decidem tão mais rápido que os primatas. Novos estudos, com mais animais e outras espécies, serão necessários para responder essa pergunta.



