Câncer de endométrio: novo exame com swab vaginal pode poupar algumas mulheres de biópsia dolorosa
Exame com swab vaginal está em estudo nos EUA como alternativa menos dolorosa à biópsia para diagnosticar câncer de endométrio.
Um novo teste feito com um swab colhido na vagina pode, no futuro, ajudar mulheres com sintomas como sangramento após a menopausa a descobrir se têm câncer de endométrio, sem passar antes por uma biópsia dolorosa.
O exame está sendo desenvolvido pela empresa PinkDx, com sede na Califórnia, e é estudado em 16 centros nos Estados Unidos. Ele é voltado a mulheres que já apresentam sintomas.
O câncer de endométrio começa no revestimento interno do útero. Hoje, o diagnóstico costuma envolver a ultrassonografia transvaginal, que mede esse revestimento com uma sonda inserida na vagina, e a biópsia endometrial, em que um pequeno fragmento de tecido é raspado por um tubo fino levado até o útero.
Os dois procedimentos podem causar dor. Além disso, em mulheres após a menopausa, a biópsia não consegue coletar tecido suficiente em cerca de 30% dos casos, quando o revestimento é muito fino ou o colo do útero é estreito demais para o instrumento.
O problema ganha relevância porque as taxas de mortalidade por câncer de endométrio estão em alta, em parte pelo aumento de formas mais agressivas da doença.
A médica June Hou, oncologista ginecológica do Columbia University Irving Medical Center, em Nova York, que lidera o estudo no local, afirmou: «Entre todos os cânceres, este é um em que o número de diagnósticos cresce a cada ano».
A lógica do teste é que células tumorais que morrem no útero liberam fragmentos de material genético com a assinatura do tumor. Esses fragmentos podem descer até a vagina, onde o swab coletado por um profissional pode captá-los para análise em laboratório. Em um teste inicial com 27 mulheres que passariam por histerectomia, a empresa identificou esse sinal até em amostras colhidas na abertura vaginal.
Especialistas ressaltam, porém, que os resultados ainda são preliminares. O pesquisador Nicolas Wentzensen, vice-diretor do Ramo de Genética Clínica do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, afirmou que esse primeiro estudo foi muito pequeno e que os achados precisam ser confirmados em um grupo maior e independente.
O estudo atual pretende incluir cerca de 3 mil mulheres e deve ser concluído ainda em 2026. Segundo a empresa, os resultados iniciais estão dentro do esperado. A meta é que o swab identifique pelo menos 90% dos cânceres e descarte corretamente a doença em pelo menos metade das mulheres que não a têm, o que limitaria os alarmes falsos.
Se esses números se confirmarem, Wentzensen avalia que o exame poderia ser uma primeira etapa capaz de poupar metade das pacientes da biópsia.
Mulheres com resultado positivo provavelmente ainda precisarão fazer a biópsia para confirmar o diagnóstico. Já quem testar negativo deve continuar o acompanhamento com o médico para investigar outras causas dos sintomas.
Como a empresa pretende usar o teste apenas em seu próprio laboratório, ele não precisaria de aprovação da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. A previsão é concluir a certificação junto ao Centers for Medicare & Medicaid Services até o início de 2027, o que permitiria chegar aos pacientes em meados daquele ano.



