Vitória, terça-feira 27 de outubro de 2026
Ano XXXV
Últimas
África

Ebola no Congo: enfermeiro é morto e profissionais de saúde se refugiam sob proteção policial

Um enfermeiro que atendia pacientes com Ebola foi morto no leste do Congo, e outros profissionais de saúde estão abrigados sob proteção policial.

Por Roberto Andrade ·
Compartilhe:

Um enfermeiro veterano que tratava pacientes com Ebola no Congo foi morto por jovens na província de Tshopo, no leste do país, e outros profissionais de saúde passaram a se refugiar sob proteção policial. As informações foram divulgadas por autoridades de saúde nesta segunda-feira (26), em mais um episódio de ataques alimentados por desinformação.

O enfermeiro trabalhava no hospital geral de Bafwasende, também em Tshopo, onde orientava moradores sobre a doença e as formas de se proteger. Ele foi atacado e morto na sexta-feira (23).

Um colega sobreviveu ao ataque e se recupera no hospital. Outros profissionais permanecem abrigados no hospital geral, sob proteção policial, com medo de voltar para casa. O exército também foi mobilizado temporariamente para a região.

“Nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa porque temem pela própria segurança”, afirmou uma das autoridades ouvidas pelo relato.

Tshopo é uma das oito províncias do Congo que enfrentam um surto de rápida disseminação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola. Segundo o instituto de saúde pública do país, que informou os dados na sexta-feira (23), já são 9.964 casos confirmados, com taxa de letalidade de cerca de 48,6% desde que o surto foi declarado em maio.

De acordo com a autoridade de saúde local, jovens da região já tinham atacado outro colega anteriormente, incendiando sua casa. A data desse episódio não foi informada.

A desinformação sobre saúde já representava uma ameaça aos profissionais no leste do Congo antes mesmo de o Ebola começar a se espalhar. Vários deles foram mortos em Tshopo depois de serem acusados de espalhar uma doença imaginária que causaria atrofia dos órgãos genitais masculinos.

Em publicação na rede X no domingo (25), Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, afirmou: “O assassinato de um enfermeiro ontem em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes”.

O caso expõe o duplo desafio de conter o surto e combater a desinformação, já que a resposta à doença depende diretamente do trabalho das equipes de saúde nas áreas afetadas.

Compartilhe:

Leia também