Ataque na Jordânia deixa sete mortos em igreja durante funeral em Karak
Homens armados atacaram uma igreja em Hmoud, na Jordânia, durante um funeral, deixando sete mortos e ao menos 34 feridos.
Ao menos sete pessoas morreram e pelo menos 34 ficaram feridas em um ataque armado contra uma igreja em Hmoud, na província de Karak, no centro da Jordânia, durante um funeral realizado na sexta-feira (23). Segundo as autoridades, homens armados chegaram de carro, entraram no templo, abriram fogo e fugiram em seguida.
Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do atentado. Em entrevista coletiva, o ministro do Interior, Mazen al-Faraya, afirmou que as forças de segurança trabalham para capturar os responsáveis, que ele classificou como um “grupo de extremistas”.
O rei Abdullah II disse que as autoridades vão responder ao “ato terrorista” contra Karak com as penas mais severas. Inicialmente, o número de mortos foi informado como sete. Um porta-voz do governo chegou a falar em seis mortes, antes de as autoridades voltarem a elevar o balanço para sete.
Imagens de câmeras de segurança verificadas mostram três homens armados com pistolas se aproximando da igreja por uma estrada. Dois deles entram na área de acesso, recuam por um breve momento e voltam acompanhados de um terceiro homem. Outras imagens, que aparentam ser do momento posterior ao ataque, mostram vários corpos e feridos caídos no chão, em meio a cenas de caos.
Testemunhas descreveram momentos de pânico dentro do templo, com fiéis se jogando debaixo dos bancos em busca de abrigo e se afastando das janelas. Khalid al-Mdanat, que estava na igreja, relatou que o ataque durou cerca de 15 minutos, com pessoas tentando fugir enquanto os disparos continuavam.
Segundo ele, os atiradores deixaram o local pelas portas da igreja e fugiram em uma caminhonete, atirando durante a fuga. “Algumas pessoas se abrigavam, outras abraçavam os mortos, outras seguravam os filhos e algumas tentavam fugir com as crianças”, descreveu.
Uma mulher que estava no templo contou que os estouros começaram logo após uma oração. “Começaram os disparos de metralhadora e o som de vidro estilhaçando. Percebemos que algo grave estava acontecendo”, relatou. Ela afirmou que a situação “continuou a se agravar por 10 minutos seguidos” e que, ao sair, viu corpos espalhados pelo pátio. Segundo outra testemunha, entre 150 e 200 pessoas estavam na igreja no momento dos disparos.
O ministro Mazen al-Faraya classificou o episódio como “doloroso e horripilante” e disse que ele é “sem precedentes na história do Reino Hashemita da Jordânia”. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou o “hediondo ataque terrorista” e afirmou que ele desrespeita a santidade da morte e dos enlutados, de acordo com a imprensa libanesa.
No hospital de Karak que atende os feridos, a segurança foi reforçada, e as vias próximas foram fechadas, obrigando familiares a deixar os carros e seguir a pé. Parentes das vítimas choravam e gritavam enquanto lamentavam as perdas, em um clima de tensão. A visita do rei Abdullah II aos feridos também levou a um aumento das medidas de segurança.
Karak tem uma comunidade cristã numerosa em uma Jordânia de maioria muçulmana. A violência desse tipo é rara no país, mas ataques letais já ocorreram no passado, o que faz do episódio um dos mais graves da história recente do reino.

