Vitória, sexta-feira 23 de outubro de 2026
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Ameba de fogo sobrevive e se reproduz a 63 °C e quebra recorde de resistência ao calor

Cientistas dos EUA descobrem ameba que se reproduz a 63 °C em águas termais da Califórnia e quebra recorde para seres eucariontes.

Por Roberto Andrade ·
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Cientistas da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, descreveram uma ameba capaz de se reproduzir a 63 °C, temperatura acima do limite que, por mais de meio século, se considerou tolerável para organismos complexos. Batizada de Incendiamoeba cascadensis e apelidada de ameba de fogo, a espécie foi encontrada em águas termais do Parque Nacional de Lassen Volcanic, na Califórnia, e é descrita em um artigo publicado na revista científica Cell.

A crença vinha de um estudo de 1972, em que dois cientistas argumentavam que formas de vida complexas não conseguiriam sobreviver e se reproduzir em temperaturas acima de 60 °C. Essa regra se manteve de pé por mais de 50 anos, até os novos resultados.

A distinção entre os grupos de seres vivos ajuda a entender o feito. Bactérias e arqueas são procariontes, organismos de células primitivas que não possuem um núcleo definido para guardar o material genético. Alguns desses micro-organismos já foram registrados em temperaturas superiores a 100 °C, ponto em que a água começa a ferver.

Já os eucariontes têm células mais complexas, com núcleo bem delimitado, como os animais e as amebas. Mesmo unicelulares e microscópicas, as amebas são mais elaboradas que as bactérias, por isso a marca alcançada pela nova espécie chama tanta atenção dos pesquisadores.

Até agora, acreditava-se que nenhum eucarionte conseguia viver acima de 60 °C. A ameba de fogo derrubou esse limite ao se reproduzir a 63 °C e ao permanecer em movimento até 64 °C.

Ela também suporta, por curtos períodos, temperaturas de até 70 °C, quando entra em um estado de dormência conhecido como cisto.

Para entender como o organismo resiste a tanto calor, os pesquisadores sequenciaram e estudaram o genoma da ameba. Com base nessa análise, uma hipótese é que ela possua mecanismos capazes de manter suas proteínas e membranas mais estáveis, além de ferramentas para reparar proteínas danificadas. A espécie também parece ajustar seu comportamento e sua velocidade de deslocamento quando o ambiente fica excessivamente quente.

A descoberta amplia o conhecimento sobre os limites da vida em células complexas e pode orientar novas pesquisas sobre como organismos sobrevivem em ambientes extremos, como as fontes vulcânicas. Por enquanto, porém, os mecanismos moleculares ainda são hipóteses que precisam ser testadas por outros estudos.

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