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Caverna Denisova revela espécie desconhecida de bovino pré-histórico

Análise de DNA de fragmentos ósseos da caverna Denisova, na Sibéria, indica uma espécie de bovino pré-histórico até então desconhecida.

Por Roberto Andrade ·
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Caverna Denisova revela espécie desconhecida de bovino pré-histórico
Imagem ilustrativa. Foto: autor desconhecido / rawpixel (CC0)

Um estudo baseado em DNA antigo revelou que a caverna Denisova, na Sibéria, também guardava vestígios de uma espécie de bovino pré-histórico até então desconhecida pela ciência. A identificação foi feita a partir de pequenos fragmentos ósseos encontrados no sítio arqueológico, que apresentaram um perfil genético sem correspondência com espécies já catalogadas.

Provisoriamente chamado de “Yak X”, o animal era parente do iaque moderno, bovino asiático de pelagem longa usado como animal de carga e para a produção de leite. A espécie ainda não tem nome científico formal, porque sua descrição dependerá de evidências adicionais além do material genético.

Pesquisadores da Universidade de Estocolmo analisaram centenas de fragmentos da própria caverna e de outros três sítios próximos, nas montanhas de Altai. Segundo Alexandre Gilardet, integrante da equipe, foram encontradas evidências genéticas de 20 indivíduos dessa espécie, que viveram entre 250 mil e 27 mil anos atrás.

Esses animais dividiam a região com grandes mamíferos da megafauna pré-histórica, como mamutes-lanosos, bisões-da-estepe e auroques, ancestrais selvagens do gado doméstico. Por enquanto, porém, não foi possível reconstruir como eram suas características físicas.

O trabalho foi publicado na revista Current Biology e também mostra o avanço das técnicas de análise de DNA antigo. Para o geneticista Love Dalén, um dos autores, é incomum identificar um grande mamífero a partir de ossos tão pequenos que não poderiam ser reconhecidos apenas pela aparência.

A caverna ganhou projeção mundial em 2008, quando um pequeno fragmento de dedo foi encontrado no local. Análises genéticas posteriores mostraram que o osso pertencia aos denisovanos, uma população humana arcaica até então desconhecida e parente próxima dos neandertais.

Ainda não é possível afirmar se esses hominídeos conviveram diretamente com o “Yak X”. Dalén considera plausível, no entanto, que os denisovanos tenham encontrado o animal e, eventualmente, o caçado.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a fauna que habitou a região e mostra como o DNA extraído de restos minúsculos pode revelar espécies antes desconhecidas.

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