Vitória, terça-feira 20 de outubro de 2026
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Exame de sorologia: o que é, para que serve e quais testes fazer periodicamente

O exame de sorologia detecta anticorpos no sangue e ajuda a identificar infecções, rastrear doenças silenciosas e checar a proteção vacinal; veja quando fazer.

Por Roberto Andrade ·
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Foto: Pexels

O exame de sorologia é um exame de sangue usado para identificar sinais da presença ou da passagem de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos no organismo. Ele ajuda a diagnosticar infecções, a rastrear doenças que podem não dar sintomas e a confirmar a proteção após a vacinação.

Para entender o teste, é preciso saber o que é o soro. Depois que o sangue coagula em um tubo, a parte líquida que sobra é o soro, composta principalmente de água, mas também de sais minerais, proteínas, hormônios e anticorpos.

É nessa parte líquida que o laboratório procura anticorpos, proteínas produzidas pelo sistema imunológico para se defender de invasores. Segundo a infectologista Rafaela Arvai Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o organismo produz anticorpos específicos contra cada agente que tenta combater.

Como podem permanecer no corpo após a infecção, os anticorpos funcionam como uma memória do sistema imunológico. Por isso, o laboratório usa pedaços do micro-organismo como isca: se houver anticorpos específicos, eles se encaixam nela e provocam uma reação detectada por um equipamento, que a converte em resultado.

Os principais anticorpos analisados são as imunoglobulinas IgM e IgG. A IgM aparece primeiro e, em geral, sugere infecção recente. A IgG surge mais tarde, dura mais tempo e indica contato no passado ou imunidade, inclusive a obtida por vacinas.

O laudo costuma indicar “reagente” ou “não reagente”. Alguns exames trazem um valor numérico, e o resultado “indeterminado” pede repetição ou confirmação do teste.

A combinação de IgM e IgG ajuda a situar a infecção no tempo, mas há exceções. Na toxoplasmose, por exemplo, a IgM pode seguir detectável por meses. Em outros casos, a confirmação vem da soroconversão, quando o resultado passa de não reagente para reagente entre duas coletas.

Antes de a produção de anticorpos atingir nível detectável existe a chamada janela imunológica, que varia conforme o micro-organismo e o teste. Quem faz o exame cedo demais pode ter resultado negativo mesmo infectado, e por isso algumas investigações pedem outro método, como o que detecta o material genético do agente.

Na maioria das vezes, a sorologia é pedida de forma pontual, diante de sintomas ou de exposição a risco. Na dengue, por exemplo, costuma ser indicada depois dos primeiros dias de sintomas, quando os anticorpos já aparecem.

Algumas sorologias também são usadas no rastreamento de doenças silenciosas, como HIV, sífilis e hepatites B e C. A frequência depende do histórico e do grau de exposição de cada pessoa: o intervalo pode ser anual em situações de menor exposição, e os testes podem ser mais frequentes para quem tem maior risco. Para populações-chave, como trabalhadoras do sexo, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para HIV a cada seis meses.

No pré-natal, a gestante é testada para infecções que podem afetar a mãe ou o bebê, como HIV, sífilis e hepatites, com testes repetidos ao longo da gravidez conforme orientações do Ministério da Saúde. A sorologia para rubéola, feita antes de engravidar, identifica mulheres sem imunidade, que devem atualizar a vacinação, já que a tríplice viral não deve ser aplicada na gestação.

Na maioria dos casos, a coleta é feita com uma amostra de sangue e não exige jejum. Como as instruções podem variar conforme o exame e os outros testes solicitados, é importante confirmar a orientação com o laboratório e com o médico que pediu o exame.

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