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Novas espécies marinhas são descobertas em expedição na Argentina; uma lembra o Patrick de Bob Esponja

Expedição de agosto de 2025 ao Cânion Mar del Plata, na Argentina, resultou em 57 novas espécies marinhas e 5 novos gêneros identificados por cientistas.

Por Roberto Andrade ·
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Novas espécies marinhas são descobertas em expedição na Argentina; uma lembra o Patrick de Bob Esponja
Imagem ilustrativa. Foto: Peter Southwood / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Uma estrela-do-mar de aparência travessa, parecida com o Patrick de Bob Esponja, roubou a cena em uma expedição transmitida ao vivo para o fundo do oceano, ao largo da Argentina. Mas os cientistas encontraram muito mais do que isso: biólogos internacionais identificaram 57 novas espécies marinhas e 5 novos gêneros coletados durante a viagem de agosto de 2025.

O trabalho de identificação foi feito na Universidad Maimónides, em Buenos Aires, durante um workshop de taxonomia que reuniu pesquisadores de diversos países. Em apenas duas semanas, os participantes classificaram os organismos coletados com a ajuda do veículo operado remotamente SuBastian.

A maior parte dos espécimes veio do Cânion Mar del Plata, uma das maiores fendas do fundo do mar da Argentina. No ponto mais profundo, ele chega a mais de 3.500 metros abaixo da superfície.

A região também é onde a corrente quente e salgada do Brasil encontra a corrente fria e rica em nutrientes das Malvinas. Esse encontro torna o local uma das áreas mais energéticas dos oceanos do planeta.

A expedição foi realizada a bordo do navio de pesquisa Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute, e faz parte do esforço do Ocean Census para catalogar a vida marinha de águas profundas antes que ela seja afetada por ameaças como as mudanças climáticas e a mineração no fundo do mar.

“A expedição ao Cânion Mar del Plata despertou a imaginação do público quando transmitimos pela primeira vez o fundo do mar argentino, com a possibilidade de descobrir novas espécies marinhas”, afirma a oceanógrafa Jyotika Virmani, diretora do Schmidt Ocean Institute. “Esses resultados mostram o poder da tecnologia de ponta aliada à colaboração científica internacional.”

No total, a equipe identificou 22 novas espécies de equinodermos, como pepinos-do-mar e crinoides, 20 novas espécies de copépodes, que são crustáceos, e 14 cnidários, entre eles octocorais, penas-do-mar e corais pétreos. Também foi identificado um molusco, conhecido como tusk shell.

Alguns dos corais, pepinos-do-mar e crustáceos representam novos gêneros. Na taxonomia, o gênero é o nível acima da espécie; o nome Homo, por exemplo, é o gênero de Homo sapiens. Um dos destaques é uma holotúria apelidada de Loki, por causa dos apêndices em forma de chifre que lembram o chapéu do deus nórdico. Ela foi incluída no gênero Peniagone, e é uma das até dez novas espécies de pepinos-do-mar encontradas.

Outras descobertas chamam atenção pela forma. As penas-do-mar parecem plantas, mas cada uma é, na verdade, uma colônia de corais formada por vários pólipos, e se alimenta por filtração. Já o octocoral de ramificações, mais familiar ao olhar, também é uma espécie inédita.

As espécies menores incluem os copépodes, pequenos crustáceos que parecem insetos. Todos os copépodes examinados pelos biólogos durante a oficina eram desconhecidos da ciência, o que contribuiu com as 20 novas espécies e um novo gênero do grupo.

“O fundo do mar abriga alguns dos ecossistemas menos compreendidos da Terra”, diz Michelle Taylor, responsável pela área científica do Ocean Census. Para Virmani, “ao identificar novas espécies, esses cientistas ampliaram nosso conhecimento sobre a vida marinha do Atlântico Sul e, por meio do Ocean Census, garantiram que esses dados fiquem acessíveis no mundo todo”.

As descobertas mostram que ainda há muito a aprender sobre a vida na Terra, inclusive nas profundezas do mar. Como o Ocean Census trabalha para documentar essas espécies antes que atividades humanas as ameacem, cada nova identificação ajuda a formar um retrato mais completo dos oceanos.

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