Vitória, segunda-feira 19 de outubro de 2026
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Vermes espaguete: novo gênero é descoberto em profundezas do Oceano Índico

Pesquisadores descreveram o gênero Terebellosuctoria, com três espécies de vermes marinhos com estruturas parecidas com ventosas no Oceano Índico.

Por Roberto Andrade ·
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Cientistas identificaram um novo gênero de vermes espaguete que vive no fundo do Oceano Índico, a centenas de metros de profundidade, nas proximidades da Ilha Christmas e das Ilhas Cocos (Keeling). Batizado de Terebellosuctoria, o grupo reúne três espécies com uma característica incomum: estruturas semelhantes a ventosas na parte inferior do corpo.

Apesar do nome, esses animais não lembram massa. Eles vivem dentro de um tubo protetor no fundo do mar, de onde estendem tentáculos finos para capturar pequenos alimentos no sedimento. Pertencem à família Terebellidae, parente das minhocas, e muitos de seus integrantes habitam águas mais rasas. Quase todas as espécies australianas descritas até agora vivem em regiões bem iluminadas, o que torna o conhecimento sobre a vida em águas profundas bem mais limitado.

As duas primeiras espécies foram coletadas entre 467 e 674 metros de profundidade, em montes submarinos ao redor da Ilha Christmas e das Ilhas Cocos (Keeling). As amostras foram obtidas durante expedições do navio de pesquisa australiano Investigator, realizadas em 2021 e 2022, que exploraram ecossistemas pouco estudados.

A análise do DNA, combinada à anatomia, indicou que se tratava de um gênero inteiro desconhecido, e não apenas de duas espécies novas. Os nomes são Terebellosuctoria jimii e Terebellosuctoria keelingensis. A terceira espécie do grupo, Terebellosuctoria spongicola, já havia sido registrada antes, a cerca de 843 metros de profundidade na costa do Japão, em estudo de 2025 que a classificou provisoriamente no gênero Lanice.

Pesquisadores japoneses haviam sequenciado o DNA desse verme, mas não conseguiram encaixá-lo com segurança nos gêneros Lanice ou Loimia. Ao comparar a anatomia e a genética dos exemplares australianos com a espécie japonesa, a equipe, com a zoóloga marinha Elena Kupriyanova, do Museu Australiano, primeira autora do estudo, resolveu o impasse e transferiu a espécie japonesa para o novo gênero.

Sobre a função das ventosas, o mistério continua. Os cientistas japoneses observaram o animal usando essas estruturas para se prender à parede interna do tubo, fixado a uma esponja de vidro de águas profundas. Segundo eles, isso pode ajudar a ancorar o verme em locais onde há pouco sedimento solto. Ainda não se sabe se as espécies australianas usam as ventosas da mesma forma.

O estudo, publicado na revista Records of the Australian Museum, descreve sete espécies novas no total, incluindo as duas do novo gênero e outros cinco anelídeos. Segundo Kupriyanova, uma expedição pode coletar centenas ou milhares de exemplares, mas identificá-los pode levar anos. Os materiais ficam em coleções de museus, onde pesquisadores podem continuar os estudos muito depois da viagem.

O trabalho indica que ainda há muito a ser descoberto, já que o levantamento abrangeu apenas uma pequena área do oceano profundo. O caso reforça o quanto ainda se desconhece sobre a vida nas partes mais fundas do mar.

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