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Óscar Puente renuncia ao cargo de ministro dos Transportes da Espanha seis dias após acidente

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, renunciou seis dias após colisão de trens de alta velocidade que deixou pelo menos 69 mortos.

Por Roberto Andrade ·
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Um trem azul de alta velocidade parado sobre trilhos em paisagem verde, com um triângulo de alerta amarelo acima dele e um envelope branco à direita, simbolizando a renúncia após o acidente.
Ilustração: Repórter Capixaba

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, anunciou nesta terça-feira (3) sua renúncia ao cargo, seis dias depois da colisão de trens de alta velocidade que deixou pelo menos 69 mortos e dezenas de feridos perto de Urda, ao sul de Madri. A decisão foi comunicada no Congresso, ao fim de uma longa sessão em que ele havia detalhado novas medidas de segurança ferroviária e sido questionado pela oposição.

Ao justificar a saída, Puente afirmou que um ministro dos Transportes de um país como a Espanha não pode continuar no cargo após dois acidentes tão graves em menos de um ano. Ele se referia ao desastre de janeiro, na mesma linha, que matou 46 pessoas. Puente também disse que retiraria seu nome da lista de candidatos às eleições legislativas antecipadas.

O acidente ocorreu na quarta-feira (28). Um trem da operadora estatal Renfe, com 397 passageiros, bateu na traseira de um trem parado da operadora privada Iryo, que transportava 147 pessoas. Segundo relatos, uma falha no sistema automático de sinalização, descrita como um problema de computador, havia obrigado todos os trens a parar no trecho.

O episódio está entre os piores desastres ferroviários da história recente da Europa e é o pior acidente de trem da Espanha desde 2013. Áudios de conversas entre a central de controle de Madri e maquinistas, divulgados pela imprensa espanhola logo após a tragédia, indicam que o trem da Renfe recebeu autorização para seguir mesmo com o outro composto parado na linha, a cerca de 25 km adiante.

Em um dos registros, o operador orienta o condutor a prosseguir em velocidade normal sob um bloqueio de sinalização lateral, um sistema de reserva usado quando a sinalização automática ou a transmissão de dados falha. Em outro, o maquinista do trem da Iryo informa que a comunicação com o sistema de controle foi perdida e que o veículo não consegue se mover.

Desde o acidente, a posição de Puente estava sob forte pressão. O principal partido de oposição, o conservador Partido Popular, e a legenda de extrema direita Vox pediam sua saída, assim como alguns aliados do próprio governo. Para os críticos, o ministro deveria responder por um sistema ferroviário que muitos espanhóis passaram a considerar inseguro. Puente também foi criticado por sugerir erro humano como possível causa, o que foi visto como uma tentativa de transferir responsabilidades.

A renúncia surpreendeu, já que poucos dias antes ele havia afirmado que permaneceria no posto. O momento é delicado, pois as eleições legislativas antecipadas estão marcadas para 29 de novembro. Observadores avaliam que o acidente pode representar um revés eleitoral importante para o governo socialista, que enfrenta dificuldades para reverter o desgaste.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez elogiou a decisão de Puente, que, segundo ele, enfrentou a situação, apresentou respostas e soluções e então deixou o cargo. Puente justificou a saída pela dignidade política. Sánchez afirmou que a decisão foi tomada por dignidade, por iniciativa própria e em respeito às vítimas.

Agora, a questão que muitos espanhóis fazem é se o sucessor de Puente conseguirá recuperar a confiança no sistema ferroviário do país e quais medidas de segurança serão adotadas daqui em diante.

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