Vitória, quarta-feira 4 de novembro de 2026
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Ataques cibernéticos a supermercados atingem ao menos dez países da Europa

Supostos ataques a sistemas de refrigeração de supermercados atingem ao menos dez países europeus, e a União Europeia alerta para possível sabotagem.

Por Roberto Andrade ·
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Ataques hackers a supermercados na Europa elevam temperatura de freezers a 50°C
Imagem ilustrativa. Foto: Leslie Seaton from Seattle, WA, USA / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Os ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de supermercados já atingem ao menos dez países da Europa. Na última terça-feira (3), Alemanha, Romênia e Reino Unido passaram a integrar a lista, que também inclui Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo. Os episódios são considerados supostos ataques: a origem ainda não foi esclarecida e nenhum grupo assumiu a autoria.

O caso lembra uma onda anterior. Em outubro, centenas de supermercados na França precisaram descartar produtos perecíveis após falhas nos sistemas de refrigeração, em um episódio que parece ter sido semelhante.

Diante da escalada, a União Europeia alertou para a possibilidade de uma tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar do bloco. Segundo o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, as agências do bloco mantêm contato com autoridades nacionais para formular uma resposta coordenada. Ele afirmou que “não se trata de incidentes isolados e, naturalmente, precisamos estar coletivamente preparados e resilientes diante desse tipo de ocorrência cibernética”.

No Reino Unido, o diretor do Centro Nacional de Segurança Cibernética, Richard Horne, disse à BBC que o problema afetou “toda a cadeia de abastecimento alimentar” no país. Segundo ele, “tecnologias vulneráveis foram exploradas”, e as equipes passaram a noite inteira alertando empresas em risco.

Na Alemanha, quatro supermercados registraram falhas, enquanto seis estabelecimentos foram afetados na Romênia, de acordo com autoridades e representantes das empresas. Na Romênia, o chefe da Diretoria Nacional de Cibersegurança, Dan Cimpean, descartou a hipótese de agentes estatais e classificou o ataque como “semiamador”.

A Bélgica está entre os países mais atingidos da semana, com dezenas de lojas de diferentes redes registrando problemas nos sistemas de refrigeração. O Ministério Público federal belga abriu uma investigação sobre o caso. A porta-voz do Centro de Cibersegurança do país, Katrien Eggers, afirmou: “Não se sabe quem está por trás deste ataque, e talvez isso nunca seja determinado”.

Na Itália, os relatos iniciais apontavam para 20 estabelecimentos afetados, e o governo realiza reuniões de emergência com os chefes dos serviços de inteligência. Autoridades falam em impacto “extremamente limitado”, restrito a um pequeno número de lojas com sistemas de segurança desatualizados. Em uma unidade da rede Coop, na Sicília, quatro das 300 lojas administradas pelo grupo sofreram impactos. O diretor responsável, Giuseppe Spadaro, estimou os prejuízos em vários milhares de euros, em declaração a um jornal italiano.

O cenário aumenta a preocupação das autoridades europeias com ameaças híbridas à infraestrutura crítica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Em outubro, alertas sobre possíveis ameaças russas à Alemanha se multiplicaram, e o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, afirmou que o país é alvo diário de “uma guerra híbrida”. Moscou nega repetidamente qualquer envolvimento em operações de sabotagem.

Para observadores, a ausência de pedidos de resgate pelos autores sugere uma possível intenção de sabotagem. O varejo é considerado um alvo fácil, pois opera sistemas tecnológicos complexos, conectados à internet e controlados remotamente.

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