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Árvore Old Tjikko: a planta de mais de 9,5 mil anos que segue viva na Suécia

A árvore Old Tjikko, na Suécia, tem raízes datadas em mais de 9,5 mil anos e se regenera por meio de troncos que surgem e morrem.

Por Roberto Andrade ·
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Um pinheiro pequeno e retorcido, com tronco antigo e um galho seco, cercado por brotos novos que nascem da base, sobre um terreno rochoso sob céu claro de paisagem sueca.
Ilustração: Repórter Capixaba

A árvore Old Tjikko, localizada na montanha Fulufjället, na província de Dalarna, na Suécia, tem idade estimada em mais de 9.500 anos. Trata-se de um exemplar de abeto-da-noruega que teria surgido por volta de 7550 a.C., período anterior ao início da história humana registrada. Com 4,8 metros de altura e uma estrutura esguia e rala, ela é considerada uma das formações vegetais mais antigas do planeta.

Seu surgimento ocorreu depois da última era glacial, e a árvore se desenvolveu na região ao longo dos milênios em que as civilizações humanas se organizaram. Ela atravessou eventos como a ascensão e a queda do Império Romano, a crucificação de Jesus Cristo e as duas guerras mundiais sem qualquer registro científico.

A descoberta só aconteceu em 2004, pelos cientistas Leif Kullman e Lisa Öberg. Por grande parte de sua existência, a planta cresceu como uma formação arbustiva conhecida como krummholz, moldada pelas condições severas da montanha. Mudanças climáticas recentes alteraram esse crescimento, e hoje ela aparece com aspecto de árvore.

“O fato de podermos ver este abeto como uma árvore hoje é uma consequência do recente aquecimento climático desde cerca de 1915”, afirmou Kullman em entrevista à CNN, em 2008.

Apesar da antiguidade de seu sistema radicular, Old Tjikko não ocupa o título oficial de árvore mais antiga do mundo. Essa posição pertence a Matusalém, um pinheiro-de-bristlecone da Grande Bacia localizado nas montanhas da Califórnia, nos Estados Unidos, que surgiu por volta de 2800 a.C.

A diferença está na natureza clonal de Old Tjikko. Embora as raízes tenham sido datadas por carbono em mais de 9.500 anos, os troncos, galhos e raízes superficiais passam por renovação periódica. Cada estrutura aérea tem vida média de cerca de 600 anos, e a árvore vem gerando novos troncos desde 7550 a.C., sempre a partir da mesma raiz.

“Assim que um caule morre, um novo surge da mesma raiz”, explicou Kullman à National Geographic, em 2008. “Portanto, a árvore tem uma expectativa de vida muito longa.”

O mesmo fenômeno ocorre em Pando, uma colônia de álamos-trêmulos em Utah, nos Estados Unidos, cujo sistema radicular tem idade estimada entre 8.000 e 80.000 anos, enquanto os troncos individuais têm cerca de 100 anos. Matusalém, por sua vez, não é clonal: possui um único tronco que vive ininterruptamente desde a sua origem.

Em 2023, a árvore sofreu danos causados por fortes nevascas acumuladas durante o inverno. Um guia de montanha que inspecionou o local identificou a perda da parte superior da copa, o que alterou o formato que antes lembrava uma árvore de Natal.

“Cerca de um metro desapareceu”, disse o guia de montanha Tommy Lönnebacke à emissora sueca SVT, acrescentando: “Mas o velho Tjikko sobreviverá”.

A preservação das raízes, que estão a mais de 9,5 mil anos abaixo do solo, garante a continuidade da estrutura vegetal. Ao contrário de Matusalém, cuja localização é mantida em sigilo por razões de conservação, Old Tjikko pode ser visitada no Parque Nacional de Fulufjället. O centro de visitantes exibe uma placa com um texto em primeira pessoa que conta a origem do nome da árvore, situada a cerca de 900 metros acima do nível do mar.

A trajetória de Old Tjikko mostra como processos biológicos e fatores climáticos podem sustentar a vida de uma planta por milênios, mesmo quando a parte visível dela muda ao longo do tempo.

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