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Fibras e câncer colorretal: como a alimentação ajuda a proteger o intestino

Padrões alimentares baseados em alimentos naturais e ricos em fibras estão associados à proteção contra o câncer colorretal, doença que avança entre adultos jovens.

Por Roberto Andrade ·
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Fibras e câncer colorretal: como a alimentação ajuda a proteger o intestino
Imagem ilustrativa. Foto: VinothChandar / Flickr (CC BY 2.0)

A relação entre fibras e câncer colorretal tem ganhado atenção porque a doença vem crescendo entre adultos jovens em diversas partes do mundo. Embora as causas ainda não estejam totalmente esclarecidas, sabe-se que a alimentação tem forte relação com o problema.

Para o cirurgião oncológico Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, o consumo de vegetais e fibras atua como fator de proteção, segundo grandes estudos populacionais. Ele afirma que se trata de “um problema com forte correlação com hábitos alimentares”.

O desafio é que as fibras seguem em falta no prato dos brasileiros. Estudos indicam que o consumo no país fica abaixo de metade do mínimo recomendado.

As razões para esse efeito defensivo ainda são investigadas. Uma das hipóteses envolve os ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato. Essas substâncias são produzidas por bactérias intestinais a partir de carboidratos que o organismo não consegue digerir.

A ligação entre fibras e doenças intestinais ganhou força nas décadas de 1960 e 1970, com o médico britânico Denis Burkitt. Nos anos 1950, ele trabalhou na África como cirurgião colonial do governo britânico e se estabeleceu em Uganda, onde estudava um tipo raro de câncer infantil, que depois ficou conhecido como linfoma de Burkitt.

Convivendo com as populações locais, Burkitt observou que doenças comuns no Reino Unido, como prisão de ventre, diverticulite, hemorroidas, câncer colorretal, diabetes e obesidade, eram raras entre comunidades rurais africanas. A alimentação desse grupo era baseada em vegetais pouco processados e ricos em fibras.

A partir disso, Burkitt defendeu que essas enfermidades seriam “doenças da civilização”, que se tornaram mais frequentes com a urbanização e o consumo crescente de alimentos refinados e pobres em fibras.

A conclusão, porém, não é tão simples. Encher o carrinho do supermercado com produtos enriquecidos com fibras não resolve o problema. Segundo Aguiar, os benefícios observados nas pesquisas estão ligados a padrões alimentares, sobretudo aqueles baseados em alimentos naturais e minimamente processados.

Nenhum produto industrializado rico em fibras consegue reproduzir com a mesma eficiência a combinação de nutrientes presente em uma fonte natural, como uma maçã, uma porção de brócolis ou uma colher de aveia.

Na prática, a orientação dos especialistas citados é dar preferência a alimentos naturais e minimamente processados, em vez de depender de produtos enriquecidos. Diante de sintomas persistentes no intestino ou de dúvidas sobre o risco da doença, vale procurar um profissional de saúde.

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