Excesso de vesículas extracelulares no sangue pode estar por trás da pré-eclâmpsia grave de início precoce
Estudo com gestantes indica que o excesso de vesículas extracelulares no sangue pode causar a disfunção dos vasos na pré-eclâmpsia grave de início precoce.
Uma equipe da Universidade Estadual de Wright, nos Estados Unidos, identificou um possível fator central na pré-eclâmpsia grave de início precoce, doença que há mais de 2 mil anos intriga médicos e que pode surgir já por volta da 20ª semana de gestação. Segundo os pesquisadores, o problema parece estar ligado à quantidade de pequenas partículas liberadas pelas células que circulam no sangue, e não ao conteúdo que elas carregam.
As partículas são chamadas de vesículas extracelulares. No estudo, liderado pelo pesquisador Thomas L. Brown, as gestantes com a forma grave da doença apresentaram muito mais vesículas circulantes do que gestantes com gravidez saudável. Quando os cientistas reduziram esses níveis ao normal em testes de laboratório, a disfunção dos vasos sanguíneos associada à pré-eclâmpsia deixou de aparecer.
A pré-eclâmpsia se desenvolve na placenta durante a gravidez e pode provocar um aumento súbito e potencialmente fatal da pressão arterial da mãe, colocando em risco tanto ela quanto o bebê. A doença é uma das principais causas de adoecimento e morte materna e infantil no mundo.
Para chegar a essa conclusão, a equipe isolou vesículas do sangue de gestantes saudáveis e de gestantes com a forma grave da doença e aplicou cada conjunto em células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos e participam da formação de novos vasos. As vesículas de gestações saudáveis permitiram a formação normal dos vasos, enquanto as de pacientes com pré-eclâmpsia não permitiram.
Em outros experimentos, os pesquisadores aumentaram a quantidade de vesículas em gestações saudáveis até os níveis encontrados na doença, e as células passaram a apresentar a mesma disfunção. Já ao reduzir as vesículas de mulheres com a forma grave até os níveis de gestações saudáveis, a função normal dos vasos foi restabelecida. Segundo o estudo, foi necessária uma redução de dez vezes nesses níveis para recuperar o funcionamento normal em laboratório.
Os resultados foram publicados na revista Hypertension e, segundo os autores, não representam um tratamento pronto. A pesquisa aponta, porém, um alvo específico para o desenvolvimento de terapias futuras. Como poucos medicamentos podem ser usados com segurança na gravidez sem risco para o bebê, o grupo trabalha em um método experimental, ainda em estágio inicial, para remover o excesso de vesículas do sangue da paciente. A meta é prolongar com segurança gestações afetadas por essa forma grave da doença além da 34ª semana, momento em que os desfechos para mãe e bebê melhoram de forma significativa.
O trabalho é feito em parceria com médicos do Premier Health e do departamento de Obstetrícia e Ginecologia da própria universidade, que obtêm o consentimento das pacientes e coletam as amostras de sangue. No laboratório do campus, equipamentos especializados conseguem medir os níveis de vesículas de cada paciente em cerca de uma hora. Segundo a equipe, a pesquisa também tem proporcionado a estudantes de medicina e de pós-graduação a chance de contribuir diretamente com o trabalho.



