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Vacina personalizada contra câncer reduz em 42% risco de retorno do câncer de pele em estudo

Ensaio clínico associa vacina personalizada à imunoterapia a menor risco de retorno de câncer de pele; estudo ainda não foi publicado em revista científica.

Por Roberto Andrade ·
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Uma vacina personalizada contra câncer, aplicada junto com a imunoterapia Keytruda, reduziu em 42% o risco de pacientes morrerem ou verem o câncer de pele voltar, segundo um grande ensaio clínico. Os pesquisadores envolvidos avaliam que o resultado pode marcar uma virada no tratamento oncológico e aproximar a medicina personalizada da rotina dos pacientes.

No estudo, 1.137 adultos receberam o Keytruda, medicamento já consolidado que ajuda o sistema imunológico a identificar e atacar células cancerígenas. Cerca de dois terços deles também receberam a vacina experimental, chamada Intismeran, enquanto os demais tomaram um placebo, substância sem efeito terapêutico.

A vacina usa a mesma tecnologia de RNA mensageiro de algumas vacinas contra a Covid-19. Ela é personalizada com base em informações do tumor de cada paciente, para treinar o sistema imunológico a reconhecer as células cancerígenas e atacá-las caso o câncer volte.

Após dois anos de tratamento, quem recebeu a vacina teve bem menos chance de ver o melanoma reaparecer ou se espalhar pelo corpo. O risco de disseminação da doença caiu 38% nesse período, em comparação com a imunoterapia isolada.

A oncologista Pippa Corrie, que ajudou a conduzir parte do estudo com pacientes do Addenbrooke’s Hospital, em Cambridge, acompanhou um dos participantes, Tony Chapman, de 75 anos. Ele teve melanoma diagnosticado em 2019 e retirou o tumor do peito, mas depois surgiu um nódulo sob o braço, o que exigiu uma segunda cirurgia. Ele entrou no estudo voluntariamente e, como os demais participantes, não sabe se recebeu a vacina ou o placebo. Três anos após o início do tratamento, segue sem câncer e faz exames a cada seis meses.

Especialistas independentes classificaram os resultados como impressionantes, mas afirmam que estudos de longo prazo ainda são necessários para saber se o tratamento faz os pacientes viverem mais, em média. O professor Alan Melcher, do Instituto de Pesquisa em Câncer, em Londres, que não participou da pesquisa, avalia que o estudo é uma prova importante de conceito, mas que não se deve avançar além das evidências disponíveis, já que um único estudo de melanoma não garante resultados em todos os tipos de câncer.

As farmacêuticas MSD, conhecida como Merck nos Estados Unidos, e Moderna afirmam que a mesma abordagem já é testada contra tumores de rim, bexiga e pulmão. As ações das duas empresas subiram desde que anunciaram indícios de sucesso, mas caíram na quinta-feira (22), depois que analistas financeiros avaliaram que os resultados não foram tão fortes quanto os de um estudo anterior, bem menor. As companhias dizem estar em contato com autoridades e podem pedir aprovação a órgãos reguladores já no próximo ano.

Para um uso amplo no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), o custo será decisivo, já que cada paciente precisa ter o tumor analisado geneticamente e uma vacina produzida sob medida. Os resultados completos serão apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, neste sábado (24), mas ainda não foram publicados em revista científica com revisão por pares. O acompanhamento dos participantes continua para verificar se o câncer retorna com o tempo e se o tratamento prolonga a vida.

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