Inteligência compartilhada Ucrânia: conselheiro de Zelensky diz que falhas em alertas já causaram mortes
Conselheiro de Zelensky diz que ucranianos morreram por falta de alertas confiáveis dos EUA sobre mísseis russos, enquanto Washington nega mudanças.
Um dos principais conselheiros do presidente Volodymyr Zelensky afirmou que ucranianos morreram porque Kyiv ainda não recebe alertas confiáveis dos Estados Unidos sobre ataques russos. Segundo ele, o problema afeta a inteligência compartilhada Ucrânia e Washington, que segue incompleta e inconsistente.
Serhii “Flash” Beskrestnov disse que faltou tempo para avisar a população sobre ataques com mísseis balísticos. “É perigoso… Acho que é muito ruim. As pessoas já morreram”, declarou em entrevista à imprensa internacional.
A Casa Branca afirmou que não houve mudanças no compartilhamento de inteligência com a Ucrânia. Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que não houve uma “pausa” nesse fluxo e atribuiu o caso a um problema de software no sistema de alerta antecipado ucraniano.
A suspensão foi relatada pela primeira vez pelo governo ucraniano na semana passada, em meio a um desgaste entre Kyiv e a administração Trump por causa de um polêmico acordo para importar petróleo russo. Apesar das negativas de Washington, muitos em Kyiv suspeitam que os episódios não sejam coincidência.
Na segunda-feira (19), Zelensky publicou nas redes sociais que a capital foi alvo de dois ataques com mísseis balísticos durante a noite, um deles sem qualquer aviso e o outro com pouquíssimo tempo para buscar abrigo. Horas antes, o presidente havia dito a uma emissora americana que o compartilhamento de inteligência fora retomado após uma pausa de três dias.
Beskrestnov contestou essa versão. Segundo ele, às vezes os alertas chegam antes dos ataques e outras vezes não chegam. Ele citou um caso em que a informação foi recebida apenas um minuto antes do disparo. Ainda assim, afirmou que os dados de inteligência continuam fluindo e que o problema está restrito ao componente de alerta aéreo.
O conselheiro também relatou que os Estados Unidos não esclareceram quem é responsável pelas restrições ao uso da rede Starlink e de seu serviço militar, o Starshield, usado por Kyiv para conectar drones, helicópteros e comunicações militares. Na semana passada, segundo ele, o Starshield limitou a velocidade de unidades móveis conectadas à rede a 100 mph (160 km/h), o que reduziu a capacidade ucraniana de derrubar drones e de lançar ataques de médio alcance contra áreas ocupadas pela Rússia.
Elon Musk, dono da Starlink, afirmou que o governo americano controla em última instância o acesso ao Starshield, sistema desenvolvido para o Pentágono. Trump negou envolvimento no caso. Beskrestnov avaliou que a coincidência dos dois problemas é “provavelmente” uma tentativa deliberada de pressionar a Ucrânia a negociar com a Rússia.
Enquanto aguarda esclarecimentos, a Ucrânia usa dados de radar próprios para dar alguns alertas limitados e estuda sistemas de comunicação alternativos. “Devemos nos preparar para problemas no futuro”, disse o conselheiro, ao afirmar que o plano vai além da defesa aérea e inclui a comunicação entre tropas e civis. A Starlink foi procurada para comentar o caso.


