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Insegurança alimentar no Afeganistão deve atingir quase 20 milhões de pessoas neste inverno

Organismos da ONU alertam que quase 20 milhões de afegãos terão insegurança alimentar aguda neste inverno e pedem financiamento urgente.

Por Roberto Andrade ·
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Insegurança alimentar no Afeganistão deve atingir quase 20 milhões de pessoas neste inverno
Imagem ilustrativa. Foto: DFID – UK Department for International Development / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A insegurança alimentar no Afeganistão deve atingir cerca de 19,2 milhões de pessoas entre novembro e abril, período de escassez sazonal, segundo projeção divulgada nesta semana pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Quase 40% da população do país deve enfrentar níveis elevados de insegurança alimentar aguda neste inverno. As agências apontam como causas o encarecimento de alimentos e transportes, a escassez de postos de trabalho e a redução da ajuda humanitária, fatores que limitam o acesso das famílias à comida.

Os números representam um aumento em relação aos 17,4 milhões de pessoas previstas para o mesmo período do ano anterior. Além disso, cerca de 5 milhões de afegãos com insegurança alimentar aguda devem enfrentar níveis de fome de emergência, o dobro do previsto para o intervalo entre abril e setembro de 2026.

Mães e crianças são os grupos mais afetados pela crise. A projeção é de que os casos de desnutrição subam quase 10%, chegando a 4 milhões, dos quais um quarto são graves e potencialmente fatais.

Segundo as agências, a crise é agravada por vários choques, entre eles o retorno forçado de mais de 1,2 milhão de afegãos, o fechamento de fronteiras, a interrupção de rotas comerciais essenciais e um forte déficit de financiamento humanitário.

O cenário tem um lado positivo: as chuvas favoráveis deste ano ajudaram a safra e a recuperação das pastagens. A previsão do fenômeno El Niño, com chuvas acima da média, pode recompor fontes de água e favorecer as culturas de inverno e primavera. Ainda assim, colheitas melhores não garantem sozinhas a segurança alimentar. Com o desemprego persistente, muitas famílias que não produzem o próprio alimento não conseguem pagar uma dieta nutritiva, mesmo quando há comida disponível.

A FAO e o PMA pedem financiamento urgente para ampliar a assistência alimentar, o apoio agrícola de emergência e as ações de prevenção e tratamento da desnutrição. O representante da FAO no país, Richard Trenchard, afirmou que é preciso ampliar as respostas humanitárias, agir de forma preventiva e investir no setor agroalimentar para gerar empregos.

O diretor do PMA no Afeganistão, John Aylieff, disse que a fome e a desnutrição estão levando comunidades ao limite e que a janela para agir se fecha rapidamente. Segundo ele, com apoio urgente as famílias podem atravessar o inverno com dignidade; sem esse apoio, muitas terão de fazer escolhas impossíveis.

Os dados são da mais recente análise da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC). Para as agências da ONU, a ajuda precisa chegar antes do período mais rigoroso do inverno, a fim de evitar mortes e o colapso total dos meios de subsistência.

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