Ataques houthis contra a Arábia Saudita levam CCG a condenar agressões e prometer apoio ao reino
Conselho de Cooperação do Golfo condena ataques houthis à Arábia Saudita enquanto combates no Iêmen se intensificam.
O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condenou, neste domingo (18), os ataques repetidos dos houthis, grupo armado iemenita alinhado ao Irã, contra a Arábia Saudita, e prometeu apoio ao reino. O comunicado foi divulgado logo após uma reunião de chanceleres em Manama, no Bahrein, em meio à intensificação dos ataques houthis e dos combates no Iêmen.
O bloco reúne Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos. Segundo a declaração, um ataque contra qualquer membro afeta todos os seis, o que invoca o acordo de defesa conjunta e respalda o direito saudita de se proteger.
No mesmo dia, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita que combate os houthis informou ter derrubado dois drones, no início da manhã, perto de Riad e na Província Oriental. Outro drone foi interceptado nas proximidades da capital horas antes, mas a coalizão não identificou quem o lançou.
Os ministros acusaram os houthis de realizar ataques letais contra aeroportos civis e instalações vitais. Eles pediram aplicação mais rígida do embargo de armas da ONU ao grupo e que os países o classifiquem formalmente como organização terrorista.
Os chanceleres também receberam com satisfação uma declaração do Conselho de Segurança das Nações Unidas, divulgada em 15 de outubro, que condenou os ataques houthis à Arábia Saudita e as ameaças à navegação no Mar Vermelho. Separadamente, o governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente, pediu ao Conselho que aja contra ataques a residências e instalações estatais.
Em cartas enviadas ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência rotativa do Conselho em outubro, Aglaia Balta, o governo iemenita citou um ataque ao palácio presidencial em Áden, cidade onde o governo está temporariamente instalado.
Ainda no domingo, o vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, encontrou-se com o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman Al Saud, em Abu Dhabi, para discutir a segurança regional, segundo a agência estatal emirática WAM.
No terreno, forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita, avançam em várias frentes. Militares disseram que os houthis dispararam mísseis contra a cidade central de Marib no domingo, enquanto tropas governistas relataram ganhos em Taiz, mais ao sul. Comandantes aliados afirmaram que oito soldados morreram em combates na província de Lahij no sábado (17). Também disseram ter matado 12 combatentes houthis em Taiz, números que não puderam ser confirmados de forma independente.
Fase atual do conflito segue a ofensiva houthi no litoral do Mar Vermelho, registrada no mês passado. O governo lançou uma contraofensiva para retomar territórios. Os houthis tomaram a capital, Sanaa, em 2014.
Os combates já deslocaram mais de 233 mil pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU para migração. Cerca de 121 mil estão na província de Taiz, onde as rotas de abastecimento foram interrompidas. Moradores relatam falta de gás de cozinha e estoques de comida em queda, e um escritório local que monitora o cerco informou que os preços dos alimentos subiram cinco vezes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os 12 hospitais de Taiz têm combustível para apenas mais quatro dias e já estão sem suprimentos cirúrgicos. Oxigênio e medicamentos também estão em falta crítica, enquanto a cidade enfrenta um surto de cólera.


