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Guerra no Sudão: ataques com drones deixam mais de 160 mortos em poucos dias

Ataques com drones no Sudão, em diferentes regiões, já deixaram mais de 160 mortos nos últimos dias, segundo médicos e grupos de direitos humanos.

Por Roberto Andrade ·
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Uma sequência de ataques com drones matou mais de 160 pessoas no Sudão nos últimos dias, segundo médicos e grupos de direitos humanos que acompanham a guerra no país. Só na segunda-feira (19), três crianças morreram em ataques a Cartum, a capital, de acordo com o Emergency Lawyers, grupo que monitora a violência contra civis no conflito.

Nas regiões do oeste, o número de mortos desde a sexta-feira (16) também passa de 160, segundo as mesmas fontes. Os ataques são atribuídos tanto às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar, quanto ao governo. Os dois lados combatem desde abril de 2023, e o uso crescente de drones nos últimos meses tem elevado o número de civis mortos.

O ataque mais letal ocorreu na noite de domingo (18), perto de um mercado na cidade de Al-Dibab, no estado de Kordofan Ocidental, no sudoeste do país, área controlada pelas RSF. Segundo moradores e profissionais de saúde, um drone atingiu um ponto de embarque onde moradores de vilarejos se reuniam após o dia de feira para conseguir carona para casa. Foram 80 mortos no local.

Outros 47 feridos foram levados para a cidade vizinha de Al-Mujlad, onde 30 morreram depois, segundo uma fonte médica citada pela agência de notícias AFP. A administração autodeclarada das RSF, chamada Tasis, e o Emergency Lawyers acusam o Exército de ter realizado esse ataque.

No leste do país, uma fonte militar informou no domingo (18) que a defesa aérea interceptou vários drones das RSF que miravam as barragens de Atbara e Setit, no estado de Gedaref, a cerca de 420 km a leste de Cartum. Não houve comentário imediato das RSF sobre o caso.

Na madrugada desta segunda-feira (19), outro ataque atingiu Nyala, capital do Darfur do Sul e reduto das RSF. Fontes médicas e das RSF informaram 17 mortos, entre eles sete oficiais das RSF, e 23 feridos.

Também na sexta-feira (16), um ataque com drone das RSF atingiu um grupo de deslocados na província do Nilo Azul, na fronteira com a Etiópia, e deixou 41 mortos, segundo o Emergency Lawyers, que classificou o episódio como uma tragédia humanitária.

A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou os ataques desta segunda-feira. Em nome do secretário-geral António Guterres, o porta-voz Stéphane Dujarric afirmou: “Estamos alarmados com os contínuos ataques letais com drones em todo o país, que estão matando civis, incluindo crianças, e interrompendo serviços centrais”.

A guerra no Sudão começou em abril de 2023, quando o chefe militar Abdel Fattah al-Burhan e o líder das RSF, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, romperam após divergências sobre a incorporação do grupo paramilitar ao Exército. Em junho, Hemedti foi condenado à morte à revelia por crimes de guerra. O conflito, que entra no quarto ano, já matou pelo menos 59 mil pessoas, segundo o monitor de conflitos ACLED, e organizações de ajuda acreditam que o número real seja maior.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, o que grupos humanitários descrevem como a maior crise humanitária do mundo. Em todo o país, 33,7 milhões de pessoas, incluindo 17,3 milhões de crianças, precisam com urgência de apoio alimentar neste ano, e cerca de 825 mil crianças enfrentam desnutrição aguda grave.

Na sexta-feira (16), os Estados Unidos pediram ao Conselho de Segurança da ONU que pressione por uma trégua humanitária e amplie o embargo de armas ao Sudão, mas China e Rússia se opuseram à ampliação. O tema segue em debate no órgão.

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