Fóssil de dinossauro encontrado em gaveta de museu no Reino Unido é de nova espécie
Fóssil guardado há um século em museu britânico revela nova espécie de dinossauro parente do T. rex, segundo estudo publicado na Royal Society Open Science.
Um fóssil de dinossauro que ficou guardado por cerca de cem anos em uma gaveta de museu no Reino Unido foi identificado como pertencente a uma espécie inédita, segundo um estudo publicado na revista Royal Society Open Science na última quarta-feira (14).
O material é um fragmento da parte de trás do crânio. Ele foi adquirido pelo Museu de História Natural em 1924, mas nunca havia sido estudado. De acordo com os pesquisadores, trata-se do primeiro exemplar desse tipo encontrado na Europa.
O animal pertencia ao grupo dos megaraptoranos, dinossauros carnívoros, ágeis e bípedes, parentes próximos dos tiranossauros, incluindo o T. rex. Eles tinham cabeça alongada e atacavam as presas com grandes braços e garras de 10 a 20 centímetros.
Batizada de Invictibellatrix, expressão que significa “guerreira invicta”, a espécie é uma das menores e mais antigas do grupo já encontradas. Ela viveu no início do período Cretáceo, há cerca de 120 milhões de anos, em território que hoje corresponde ao Reino Unido.
Com base no que se conhece sobre seus parentes mais próximos, o Invictibellatrix teria entre três e quatro metros de comprimento e pouco mais de um metro e meio de altura. “Aproximadamente a altura de um ser humano”, explicou Cassius Morrison, autor principal do estudo, em comunicado.
Segundo o pesquisador, a espécie tinha penas e se alimentava de pequenos dinossauros, lagartos e mamíferos, ocupando um papel semelhante ao da hiena atual na cadeia alimentar. Ele ressalta que não era o predador principal de sua época, mas que, para os humanos, teria sido mais perigoso que o T. rex, já que pessoas seriam presas de tamanho ideal para ele.
Para identificar a espécie, a equipe fez uma tomografia computadorizada do fóssil e criou modelos 3D da parte do crânio e do cérebro. Os cientistas compararam o material com crânios de tiranossauros, raptores e outros carnívoros bípedes. A combinação de características, como um orifício oval por onde a medula espinhal entrava no cérebro e uma crista em forma de ampulheta, indicou tratar-se de uma nova espécie.
Algoritmos computacionais confirmaram que o exemplar pertencia à família dos megaraptoranos. Em seguida, uma modelagem matemática analisou como esses animais se espalharam pelo mundo ao longo do tempo, considerando fósseis já conhecidos, árvores evolutivas, geografia e clima.
Os resultados indicam que os megaraptoranos estavam amplamente distribuídos no início do Cretáceo, mas foram extintos na Europa ao fim do período, dezenas de milhões de anos depois. Depois disso, passaram a ser os principais predadores do antigo continente de Gondwana, que hoje abrange regiões como América do Sul, Austrália, África e Índia, onde chegaram a tamanhos gigantescos e garras de até 35 centímetros.

