Vitória, quinta-feira 5 de novembro de 2026
Ano XXXV
Últimas
Espírito Santo

Campanha de 21 dias de ativismo mira violência contra mulheres no ambiente digital

Campanha de 21 dias de ativismo, de 20 de novembro a 10 de dezembro, tem foco na violência digital contra meninas e mulheres.

Por Roberto Andrade ·
Compartilhe:

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, detalhou nesta quinta-feira (5), no programa “Bom Dia, Ministra”, as ações da campanha “21 Dias de Ativismo”, voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres. A mobilização nacional vai de 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, a 10 de dezembro.

Com o tema “Conectadas, Seguras e Vivas”, a campanha terá foco na violência digital contra meninas e mulheres, além da prevenção de todas as formas de violência de gênero e de racismo.

Segundo a ministra, esses problemas são estruturais e exigem responsabilidade de toda a sociedade. “Não é simples enfrentar tanto a violência quanto o racismo, que são aspectos estruturais da sociedade. Mas nós estamos cada dia mais ampliando isso, com o diálogo, com a mobilização das mulheres”, afirmou.

A mobilização é promovida pelo Governo Federal com apoio da ONU Mulheres e terá ações em formato de séries, áudios e livros. Também está prevista a formalização do protocolo “Não é Não”, que fará um apelo a bares, restaurantes e estabelecimentos de entretenimento para que prestem apoio e orientação a mulheres que se sintam importunadas.

Márcia Lopes afirmou que as ações de proteção dependem de esforço conjunto com estados e municípios. Segundo ela, as secretarias estaduais devem trabalhar com as prefeituras para que cada uma se organize, conheça sua realidade e tenha um bom diagnóstico.

A campanha também marca o lançamento da Cartilha de Supervisão Parental, um guia para ajudar famílias e responsáveis a proteger meninas nos ambientes digitais. De acordo com a ministra, o material traz orientações sobre controle técnico e diálogo e mostra que proteger não significa vigiar nem limitar a liberdade das meninas, mas garantir que elas usem a internet com segurança e autonomia.

Sobre os espaços digitais, a ministra citou o decreto assinado pelo presidente Lula em maio de 2026, que estabelece regras para as plataformas, entre elas o prazo de até duas horas para remover conteúdos de humilhação, exposição ou material íntimo após notificação.

Caso as plataformas não retirem o conteúdo do ar, a mulher pode denunciar pelo canal da Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, que aceita provas como fotos, dados, vídeos e links.

O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, em português, inglês, espanhol e Libras, e é atendido integralmente por mulheres. Pelo canal também é possível obter orientação sobre leis e direitos e localizar serviços como a Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referência, delegacias especializadas e Defensorias Públicas.

No primeiro semestre de 2026, o Ligue 180 recebeu 86.432 denúncias, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2025. A média diária de denúncias do ano passado foi de 425.

Compartilhe:

Leia também