Paul Mackenzie é condenado a 200 anos de prisão no Quênia por 191 mortes
O líder de seita Paul Mackenzie foi condenado a 200 anos de prisão pelo assassinato de 191 pessoas, quase todas crianças, no Quênia.
Um tribunal do Quênia condenou nesta sexta-feira (6) Paul Mackenzie, líder de uma seita apocalíptica, a 200 anos de prisão pelo assassinato de 191 pessoas. Todas as vítimas, exceto uma, eram crianças. Outras 27 pessoas foram consideradas culpadas no mesmo processo, que tramitou na cidade portuária de Mombaça.
Mackenzie foi considerado responsável por orientar seguidores a deixar os filhos passar fome até a morte, sob a promessa de que assim poderiam “encontrar Jesus”. Segundo a juíza Diana Mochache, ele tem a principal responsabilidade criminal por ordenar jejuns que levaram às mortes.
Ao proferir a sentença, a magistrada afirmou que a pena é adequada e justa para deixar uma mensagem clara de que atrocidades desse tipo merecem o máximo previsto em lei. O caso é considerado um dos episódios mais letais de extremismo religioso da história do país.
O caso veio à tona em 2023, quando mais de 400 corpos foram encontrados em covas rasas na floresta de Shakahola, perto da costa queniana. A investigação chocou o país e chamou atenção internacional.
A acusação havia pedido pena de morte, diante da gravidade dos crimes e da falta de arrependimento demonstrada por Mackenzie. Essa punição não é aplicada no Quênia desde 1987. Os réus pediram clemência à Justiça.
Francis Wanje perdeu oito parentes na floresta, incluindo dois netos. Ele relatou o caso à polícia em março de 2023 e lamenta que a ação das autoridades não tenha sido imediata. Segundo ele, um parente policial e um ex-integrante do grupo conseguiram retirar um dos netos da floresta, e a criança mostrou aos agentes o local onde estavam os irmãos enterrados.
Investigações da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia apontaram que autoridades locais e agentes de segurança ignoraram repetidamente as atividades do grupo. Uma comissão de inquérito criada pelo presidente William Ruto foi depois declarada inconstitucional.
Mackenzie fundou a Good News International Ministries em 2003, que ganhou milhares de fiéis em diferentes cidades do país. A igreja principal foi fechada em 2019, e ele se mudou para a floresta de Shakahola, incentivando seus seguidores a acompanhá-lo. Embora a condenação traga uma resposta para as 191 vítimas, mais de 400 corpos foram exumados no local. Mackenzie e outros líderes ainda respondem a processos por terrorismo, radicalização e negação de educação a crianças.



