Vitória, segunda-feira 2 de novembro de 2026
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Potássio e pressão alta: especialistas dizem que recomendações deixam de fora metade da equação

Relatório científico propõe somar o aumento do potássio à redução do sal no combate à pressão alta, com cuidados para pessoas com doença renal.

Por Roberto Andrade ·
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Quando o assunto é potássio e pressão alta, a orientação mais repetida há décadas é comer menos sal. Um novo relatório científico sugere, porém, que esse conselho deixa de fora uma peça igualmente importante da equação.

Para os pesquisadores, aumentar a ingestão de potássio, e não apenas reduzir o sódio, pode levar a um controle melhor da pressão arterial. Ao tratar os dois nutrientes em conjunto, essa estratégia poderia reforçar a prevenção da hipertensão e diminuir o risco de problemas cardiovasculares graves.

A hipertensão, como também é chamada a pressão alta, atinge mais de 1,28 bilhão de adultos no mundo. Ela é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs.

Sódio e potássio são minerais essenciais para o equilíbrio de líquidos, a transmissão de sinais nervosos e o funcionamento dos músculos. Os dois influenciam a pressão, mas de maneiras diferentes. O excesso de sódio faz o corpo reter líquido, o que aumenta a pressão dentro dos vasos sanguíneos.

O potássio ajuda a contrabalançar esse efeito ao auxiliar os rins a eliminar o excesso de sódio pela urina. Ele também contribui para o funcionamento normal das paredes dos vasos sanguíneos, peça importante para manter a pressão saudável.

Na avaliação dos autores, médicos e especialistas em saúde defendem que as recomendações alimentares tratem os dois minerais juntos, em vez de tomar a redução do sal como solução principal. Segundo a professora emérita de medicina Naomi Fukagawa, da Faculdade de Medicina Robert Larner da Universidade de Vermont, que é a primeira autora do trabalho, os componentes dos alimentos interagem entre si, e as evidências mostram que aumentar o potássio e reduzir o sódio funcionam juntos para controlar melhor a hipertensão.

O estudo foi publicado na revista científica American Journal of Clinical Nutrition e teve apoio do Comitê sobre Sódio em Alimentos e Implicações para a Saúde, vinculado à IAFNS. Os pesquisadores analisaram as evidências científicas que embasam as recomendações atuais de sódio e potássio, além de formas práticas de reduzir o sódio e aumentar o potássio na alimentação.

Também foram examinados os obstáculos para pôr essas mudanças em prática e as áreas em que novas pesquisas e políticas públicas poderiam ajudar. Um dos principais problemas apontados é que muitas pessoas consomem sal em excesso e, ao mesmo tempo, ingerem muito menos potássio do que o recomendado. Segundo os autores, esse quadro vale tanto para países desenvolvidos quanto para países em desenvolvimento.

O potássio está presente em alimentos comuns, como frutas, verduras, leguminosas e laticínios. Banana, batata, feijão, folhas verdes e iogurte são exemplos de alimentos que podem ajudar a aumentar a ingestão do mineral.

Outra possibilidade citada é substituir parte do cloreto de sódio, principal componente do sal de cozinha, por sais de potássio. Esses substitutos reduzem o sódio e aumentam o potássio ao mesmo tempo. Na prática, porém, a indústria enfrenta um desafio, porque o excesso de sal de potássio pode deixar um gosto metálico desagradável, o que limita a quantidade que pode ser usada sem afetar o sabor.

Aumentar o potássio também não é indicado para todos. Pessoas com doença renal ou que usam certos medicamentos podem ter dificuldade para regular os níveis do mineral. Nesses casos, suplementos e substitutos de sal à base de potássio devem ser usados somente com orientação médica.

Os pesquisadores ressaltam que reduzir o sódio continua essencial. A proposta não é abandonar as recomendações atuais, e sim ampliá-las, reconhecendo que o potássio é outro fator importante na regulação da pressão. Para as mais de um bilhão de pessoas que convivem com a hipertensão, essa mudança de enfoque pode ter implicações relevantes nas futuras orientações alimentares, que tendem a destacar os benefícios combinados de comer menos sódio e mais potássio.

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