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María Corina Machado retorna à Venezuela após mais de dez meses no exílio

A opositora venezuelana María Corina Machado voltou ao país após mais de dez meses no exílio, em meio a um cenário político tenso e a negociações apoiadas pelos EUA.

Por Roberto Andrade ·
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A líder da oposição venezuelana María Corina Machado voltou ao país neste domingo (25), após mais de dez meses no exílio. Ela retorna a um cenário político marcado por tensões e por disputas sobre o futuro das eleições no país.

Em uma publicação na rede X, ela escreveu: “Estou aqui. Com vocês.” A volta ocorre depois de tentativas anteriores de reentrada que não tiveram sucesso. Em setembro, um assessor afirmou que ela havia tentado sete vezes retornar nas semanas anteriores, mas foi impedida em todas elas. Houve relatos de que os Estados Unidos teriam participado do atraso, o que o governo americano negou.

Machado deixou a Venezuela em janeiro, em um barco rápido e de madrugada, para receber o Prêmio Nobel da Paz na Noruega. No mesmo mês, os Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro. O governo do presidente Donald Trump passou a apoiar Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente interina e depois assinou um acordo de petróleo com condições muito favoráveis aos americanos.

No domingo, Machado foi fotografada durante uma missa em uma igreja no estado de Lara, cercada por apoiadores que a abraçavam e seguravam suas mãos. Seu aliado Edmundo González, ex-candidato à Presidência, confirmou a chegada e disse que se juntará a ela em breve na Venezuela para avançar com o país “rumo à liberdade”.

Ainda não está claro quais serão os próximos passos de Machado. Ela já afirmou que tentaria novamente a Presidência caso houvesse uma eleição. Seu retorno dependia da aprovação do governo Trump, que, segundo a avaliação da reportagem, parece ter sido concedida.

Machado venceu as primárias da oposição realizadas em 2023, à margem da autoridade eleitoral controlada pelo governo, com mais de 90% dos votos. Mesmo assim, o governo de Maduro a proibiu de disputar cargos públicos, acusando-a de fraude e de infrações tributárias, o que ela negou, classificando as acusações como politicamente motivadas. Nas eleições de 2024, González concorreu em seu lugar. A autoridade eleitoral declarou Maduro vencedor sem divulgar os detalhes da apuração, e a oposição afirma que González venceu, apresentando cópias das atas como prova.

Maduro foi retirado do país por forças americanas em janeiro e está preso em Nova York, onde responde a acusações de tráfico de drogas, posse de armas e tortura. Ele se declarou inocente.

Um porta-voz de Machado, David Smolansky, afirmou que o retorno é “um grande passo rumo a uma transição democrática e a eleições presidenciais livres, justas e verificáveis em um futuro próximo”, e agradeceu ao governo americano. Ao ser questionado por jornalistas no domingo, Trump disse não saber “nada” sobre o retorno e afirmou esperar que ela esteja segura.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuiu a volta às conversas de reconciliação política apoiadas pelos Estados Unidos, que já levaram à libertação de centenas de presos políticos e ao retorno de dezenas de opositores exilados. Rubio afirmou esperar que todos os atores políticos apoiem essas negociações, que, segundo ele, representam a melhor chance em trinta anos para a Venezuela alcançar eleições livres e justas e uma democracia duradoura.

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