Vitória, segunda-feira 26 de outubro de 2026
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Segurança Pública

Pastor condenado a pagar R$ 50 mil por associar autismo ao diabo

Pastor da Assembleia de Deus foi condenado pela Justiça do Pará a pagar R$ 50 mil por associar autismo ao diabo em pregação de 2024.

Por Roberto Andrade ·
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Um pastor condenado pela Justiça do Pará deverá pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos após associar o autismo à atuação do diabo durante uma pregação. Trata-se de Washington Almeida, da Assembleia de Deus.

As declarações foram feitas em 12 de julho de 2024, durante uma celebração pelos 90 anos da igreja. Na ocasião, o religioso questionou o crescimento dos diagnósticos de autismo e afirmou que o diabo estaria agindo sobre mulheres e famílias sem proteção espiritual, na avaliação dele.

Durante o sermão, o pastor disse que o diabo estaria “visitando o ventre das desprotegidas” e buscando pessoas vulneráveis e desassistidas. A gravação circulou nas redes sociais e provocou críticas por vincular uma condição do neurodesenvolvimento a uma suposta influência demoníaca.

A ação foi movida pelo Ministério Público. O promotor Luiz Almeida Presotto sustentou que falas desse tipo podem reforçar o preconceito e ampliar o estigma enfrentado por pessoas autistas e seus familiares. Segundo ele, as declarações foram marcadas por “insensibilidade, despreparo, preconceito e ignorância”.

Durante o processo, o pastor reconheceu ter errado e considerou inadequada a forma como se manifestou. Ele negou, porém, a intenção de discriminar pessoas autistas ou de causar sofrimento às famílias que convivem com o transtorno.

Ao fixar o valor em R$ 50 mil, a Justiça levou em conta a repercussão das declarações e os efeitos que discursos desse tipo podem produzir sobre pessoas com deficiência. Os recursos deverão ser direcionados a um fundo público de saúde voltado ao atendimento de pessoas autistas.

O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de lideranças religiosas ao tratar de temas de saúde. A liberdade religiosa protege a manifestação de crenças, mas associar condições médicas a supostas falhas espirituais pode disseminar informações sem respaldo científico e alimentar a discriminação.

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento. Não há evidências científicas de que ela seja causada por ação demoníaca ou pela falta de proteção espiritual.

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