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Roubo de cookies: como golpistas obtêm a chave digital das suas contas

Golpistas podem roubar cookies de sessão do aparelho e acessar contas sem a senha. Veja como funciona o golpe e como se proteger.

Por Roberto Andrade ·
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Imagine passar a manhã pagando contas e conferindo saldos, fechar o notebook e seguir o dia sem desconfiar de nada. Enquanto isso, criminosos podem ter sequestrado a sua sessão bancária e estar com acesso livre à sua conta. Essa fraude se chama roubo de cookies e pertence a um tipo de golpe conhecido como sequestro de sessão.

Segundo a NordVPN, empresa de cibersegurança, a companhia identificou 52 bilhões de cookies em dados roubados circulando na internet em um período de 12 meses encerrado em junho. Marijus Briedis, diretor de tecnologia da empresa, afirma que os cookies se tornaram o principal alvo dos hackers.

Ao entrar em um site, como o de um banco, o usuário recebe um cookie de sessão, uma espécie de chave única guardada no próprio aparelho. Ela armazena dados temporariamente e permite passar de uma página para outra sem digitar a senha a cada clique. Assim que a pessoa sai da conta, essa chave deixa de funcionar.

O risco está no tempo em que a sessão continua aberta. Isso pode acontecer quando o usuário marca a opção de permanecer conectado ou quando não encerra a sessão corretamente. Briedis compara o cookie a uma chave já girada na fechadura: enquanto ela estiver ali, a porta continua aberta para quem a tiver.

Se um criminoso copiar esse cookie ativo, passa a agir como se fosse o próprio titular. Ele não precisa da senha, não dispara alerta de novo login e, segundo o especialista, pode muitas vezes contornar a autenticação em dois fatores.

Os cookies são retirados do aparelho da vítima, geralmente depois que ela baixa, sem perceber, um programa malicioso, o chamado malware. Instalado, esse programa acessa o banco de dados do navegador, copia os cookies de sessão ativos e os envia ao criminoso.

O golpe costuma passar despercebido. A vítima só descobre quando nota o uso indevido da conta. Em redes sociais ou e-mails, o acesso pode servir para aplicar golpes em contatos. Em uma conta bancária, os dados encontrados podem ser usados em golpes de falsa identidade. Em compras online, pedidos podem ser alterados e cobrados nos dados de pagamento salvos. Alguns sites também avisam por alerta de segurança quando alguma alteração é feita.

Entre os sinais de infecção estão um aparelho lento para tarefas simples, bateria que descarrega mais rápido que o normal, travamentos frequentes e um navegador com redirecionamentos, janelas pop-up ou página inicial alterada. Como esses programas costumam se esconder em extensões e softwares baixados, a recomendação é ter cuidado com o que é instalado.

Para reduzir os riscos, o especialista orienta a sair das contas manualmente, já que fechar a aba não encerra a sessão. Também recomenda guardar senhas em um gerenciador dedicado, em vez do navegador, e limpar os cookies com regularidade. Acessar sites com login por redes Wi-Fi públicas e inseguras deve ser evitado, embora a chance de roubo por essa via seja considerada baixa.

Em caso de suspeita de invasão, a orientação é fazer uma verificação com antivírus, sair das contas em todos os dispositivos e trocar as senhas. A autenticação em dois fatores segue valendo, pois oferece mais proteção do que apenas uma senha. Se houver pagamentos suspeitos, o banco deve ser comunicado imediatamente.

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