Missão Swift NASA é encerrada e deixa legado com dados usados em cerca de 7 mil artigos
A NASA encerrou a missão do observatório Swift, que orbita a menos de 275 km da superfície e deve reentrar na atmosfera nas próximas semanas.
A missão Swift NASA foi encerrada. O Observatório Neil Gehrels Swift, que por mais de duas décadas estudou explosões e fenômenos violentos no espaço, deixou de realizar observações científicas porque agora orbita a menos de 275 quilômetros da superfície terrestre. Nessa altitude, o atrito atmosférico aumenta a ponto de impedir que os telescópios mantenham a mira estável em seus alvos. A última observação foi feita em 20 de outubro, e a expectativa é que o equipamento reentre na atmosfera nas próximas semanas.
O Swift foi projetado para uma missão primária de dois anos, mas seguiu produtivo por mais de dez vezes esse período. Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da sede da NASA, em Washington, afirmou que o observatório trouxe retorno duradouro ao país e ajudou a consolidar uma nova forma de astronomia, baseada em observações de resposta rápida a eventos cósmicos.
Ao longo da carreira, o telescópio registrou mais de 2 mil explosões de raios gama, consideradas as mais potentes do cosmos, e estudou mais de 1.400 explosões de supernovas. Também acompanhou estrelas sendo destroçadas por buracos negros, monitorou galáxias ativas, realizou um levantamento de raios X de todo o céu e observou asteroides e cometas. Os dados do observatório embasaram cerca de 7 mil artigos científicos.
Um dos maiores desafios era a velocidade. As explosões de raios gama duram tão pouco que não há tempo de apontar grandes telescópios para elas. Por isso, o satélite precisava detectar e localizar o evento, enviar a posição a outros observatórios e girar seus instrumentos para fotografar o local antes que o brilho residual desaparecesse. Segundo S. Bradley Cenko, investigador principal da missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, esse processo costumava levar cerca de um minuto.
O observatório foi lançado em órbita em 20 de novembro de 2004 e começou a trabalhar no mês seguinte. Em 2018, a NASA passou a chamá-lo de Observatório Neil Gehrels Swift, em homenagem ao cientista que liderou a missão no início, após a morte dele.
Entre os marcos está a observação, em maio de 2005, da explosão GRB 050509B, que durou apenas 0,03 segundo. O Swift foi rápido o bastante para captar 11 fótons de raios X e identificar o primeiro brilho residual de uma explosão curta. Essas medições reforçaram modelos teóricos de longa data, indicando que explosões curtas podem resultar da fusão de duas estrelas de nêutrons, corpos com massa comparável à do Sol comprimidos até o tamanho aproximado de uma cidade.
O sistema de planejamento flexível também foi decisivo. Astrônomos podiam solicitar observações de oportunidade, programadas a partir da Terra em poucos minutos, ou acompanhar fontes específicas por períodos que iam de minutos a meses. O sistema chegava a programar até 75 alvos independentes por dia.
O arquivo do Swift reúne quase 22 anos de medições de brilho de eventos cósmicos, espectros e mais de 1,5 milhão de imagens do telescópio ultravioleta e óptico. O conjunto de dados, disponível publicamente, tem cerca de 12 terabytes, volume equivalente a aproximadamente 600 filmes em alta definição. O legado da missão Swift NASA deve continuar gerando descobertas por décadas. Enquanto isso, a agência diz que seguirá buscando formas de reagir rapidamente a eventos cósmicos, usando missões atuais para suprir a lacuna deixada pelo observatório.
