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Buspirona genérica chega ao Brasil como alternativa com baixo potencial de dependência

Primeira buspirona genérica do país deve chegar às farmácias ainda este mês, com expectativa de preços mais baixos para o tratamento da ansiedade.

Por Roberto Andrade ·
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A buspirona genérica chegou ao Brasil. Segundo a farmacêutica Prati-Donaduzzi, que vai fabricar o produto, trata-se do primeiro medicamento genérico à base dessa substância no país. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (19), e a empresa afirma que o remédio deve estar disponível no mercado ainda este mês.

A buspirona é indicada para o transtorno de ansiedade e ganhou espaço entre pacientes por causa do perfil de efeitos colaterais mais brando. Ela não causa dependência física nem sintomas de abstinência quando o uso é interrompido. Segundo a literatura científica, também costuma não provocar sonolência nem prejuízos à atenção, à memória ou aos movimentos do corpo.

Até agora, a substância era vendida no país com marcas como Buspar, da Bristol-Myers Squibb, e Ansitec, da Libbs. Com a entrada da versão genérica, a expectativa é de redução de preços. A legislação brasileira determina que genéricos desse tipo custem, obrigatoriamente, pelo menos 35% menos que o medicamento original.

A buspirona é tão eficaz quanto os benzodiazepínicos, como o Rivotril, no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), condição marcada por preocupação excessiva e constante. Por outro lado, ela não serve para conter crises agudas de ansiedade.

“A buspirona não tem a proposta de produzir um efeito imediato. É uma alternativa de uso contínuo, que apresenta baixo potencial de dependência e pode ser considerada pelo médico de acordo com o quadro e o perfil do paciente”, afirmou a neurologista Larissy Degani, da equipe de Prescrição Médica da Prati-Donaduzzi. Segundo ela, o efeito costuma levar de duas a quatro semanas para aparecer no início do uso.

Outra diferença citada é que a substância não potencializa o efeito do álcool nem de opioides, usados por alguns pacientes com dores crônicas. Pesquisas também investigam seu potencial em depressão, fobia social, TDAH, sintomas de Alzheimer e de outras demências, além do controle de efeitos colaterais do tratamento de Parkinson. Os especialistas ressaltam, porém, que ainda são necessários mais estudos para confirmar a eficácia nesses casos.

A buspirona não é a única alternativa aos benzodiazepínicos com baixo risco de dependência. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina, como escitalopram, fluoxetina e sertralina, também são tratamentos de primeira linha para diversos transtornos de ansiedade. Eles atuam principalmente sobre a serotonina, substância ligada à regulação do humor e da ansiedade.

Segundo Alaor Carlos de Oliveira Neto, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, “uma das principais vantagens da buspirona [e de outras medicações não benzodiazepínicas] é que seu uso continuado não costuma induzir tolerância farmacológica, ou seja, não exige o aumento progressivo das doses para manter o efeito ansiolítico”.

Mesmo assim, nenhuma dessas medicações deve ser interrompida de repente. A suspensão abrupta pode provocar tontura, irritabilidade e alterações do sono, por isso a retirada precisa ser orientada por um médico.

O psiquiatra Felipe Dias, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, afirma que muitos prescritores limitam a dose da buspirona a 30 miligramas por dia, em geral por causa do custo do tratamento, e não porque essa quantidade seja suficiente para todos os pacientes. Hoje, uma caixa de Ansitec de 10 miligramas, com 90 comprimidos, pode custar em torno de R$ 210,87. Dias pondera que será preciso avaliar se a redução de preço basta para tornar a buspirona competitiva em relação a outras opções igualmente eficazes e mais baratas.

Para a classe médica, a chegada do genérico é vista com bons olhos. Neto afirma que um benefício é ampliar as alternativas para pacientes que precisam reduzir gradualmente o uso de benzodiazepínicos. O medicamento também pode ser útil na atenção primária, quando ISRS como fluoxetina e sertralina, ou a venlafaxina, causam efeitos adversos intoleráveis, como ganho de peso, apatia emocional, disfunção erétil ou anorgasmia.

Como em qualquer tratamento para ansiedade, a escolha do medicamento depende de avaliação médica. Quem sente sintomas persistentes deve procurar um profissional de saúde, que poderá indicar a opção mais adequada ao quadro e ao perfil de cada paciente.

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