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Reconstrução facial romana mostra rosto de homem decapitado há quase 2.000 anos na Escócia

Especialistas reconstruíram o rosto de um homem da Escócia romana, decapitado após a morte; crânio será exibido em Edimburgo a partir de 14 de novembro.

Por Roberto Andrade ·
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Reconstrução facial romana mostra rosto de homem decapitado há quase 2.000 anos na Escócia
Imagem ilustrativa. Foto: Daniel Farrell from Nijmegen, Netherlands / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Uma equipe internacional de especialistas reconstruiu digitalmente o rosto de um homem que viveu na fronteira do Império Romano, na atual Escócia, há quase 2.000 anos. A reconstrução facial romana é o resultado de um trabalho que combinou diferentes análises científicas sobre os restos mortais.

O crânio e a reconstrução serão exibidos no National Museum of Scotland, em Edimburgo, na exposição Roman Scotland: Life On The Edge Of Empire. A mostra ficará aberta de 14 de novembro de 2026 a 18 de abril de 2027.

Originário do sul da Grã-Bretanha, o homem percorreu centenas de quilômetros até a costa do estuário do rio Forth. A análise do esqueleto revelou diversos ferimentos, uma fratura no nariz já cicatrizada e uma limitação dos movimentos do braço direito.

Segundo os pesquisadores, essa limitação provavelmente se relacionava a um crescimento ósseo próximo à articulação do cotovelo, possivelmente causado por artrite séptica. Por isso, ele não teria condições físicas de empunhar uma espada como soldado na época de sua morte.

Fraser Hunter, curador principal de pré-história e arqueologia romana dos Museus Nacionais da Escócia, destacou a importância da descoberta. Segundo ele, “esta reconstrução facial finalmente me dá uma noção de como era um de seus habitantes”. Ele trabalha com os achados de Inveresk romana há anos.

Hunter também afirmou que a arqueologia fala sobre pessoas que tinham esperanças e medos como os de hoje. Embora não seja possível determinar com exatidão a aparência do homem, ele acredita que “sua família e amigos teriam reconhecido a semelhança”.

O homem estava entre os sepultados nas proximidades do forte romano de Inveresk. Dos seis homens adultos enterrados no local, quatro, incluindo ele, foram decapitados após a morte. De acordo com os pesquisadores, esses sepultamentos estão entre os exemplos mais antigos conhecidos dessa prática na Grã-Bretanha e são os primeiros registrados na Escócia.

As razões para a decapitação após a morte ainda são desconhecidas. A prática pode ter ligação com crenças ou preocupações sobrenaturais sobre as circunstâncias da morte, ou ter sido usada como forma de punição.

Jess Thompson, curadora de osteoarqueologia dos Museus Nacionais da Escócia, ressaltou a relevância do conjunto. Para ela, “os sepultamentos em Inveresk são sobrevivências excepcionais e incrivelmente raras da Escócia romana”.

A especialista explica que a análise dos restos humanos por métodos científicos diferentes permite investigar as características físicas dos indivíduos, suas origens, suas atividades na fronteira romana e as circunstâncias de suas mortes.

Para montar a reconstrução, Chris Rynn utilizou uma avaliação dos ossos feita no museu, análises isotópicas anteriores realizadas por pesquisadores da Durham University e estudos de DNA antigo conduzidos por equipes da University of York e da Harvard Medical School.

A exposição também vai abordar a vida na fronteira romana, desde as campanhas militares para conquistar a região até o cotidiano das comunidades que viviam perto dos fortes. A mostra tratará ainda de como a invasão romana ameaçou o modo de vida dos habitantes locais, em um período em que o império avançava sobre territórios do norte da Grã-Bretanha.

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