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Dificuldade para emagrecer pode estar ligada à imunidade, sugere estudo

Estudo indica que células de defesa do tecido adiposo guardam uma “memória biológica” da obesidade e podem dificultar a manutenção do peso.

Por Roberto Andrade ·
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Dificuldade para emagrecer pode estar ligada à imunidade, sugere estudo
Imagem ilustrativa. Foto: Alexandra Miletta / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Quem já passou por dificuldade para emagrecer sabe que a conta nem sempre fecha, mesmo com dieta e exercícios. Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine sugere que o sistema imunológico também faz parte dessa história. Segundo a pesquisa, certas células de defesa presentes no tecido adiposo, que é onde se concentra a gordura do corpo, guardam uma espécie de “memória biológica” da obesidade.

Na prática, isso significa que alterações celulares e genéticas podem persistir mesmo depois que a pessoa perde peso. Essas mudanças tornariam a gordura mais resistente na fase de manutenção, quando o objetivo é não recuperar o que foi perdido. A endocrinologista Simone Lee, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que esse mecanismo ajuda a entender por que o corpo pode oferecer resistência ao emagrecimento.

A obesidade é multifatorial, e outros fatores também entram na conta. Segundo um estudo norueguês, filhos de pessoas com obesidade têm até seis vezes mais chances de enfrentar problemas de peso ao longo da vida, o que mostra o peso da herança genética.

O intestino também tem papel nesse quadro. As bactérias que compõem a microbiota intestinal podem participar da inflamação crônica ligada à obesidade e contribuir para o armazenamento de gordura. Já o sono curto chama atenção: quem dorme menos de sete horas tende a ter maior índice de massa corporal (IMC), porque a privação de sono desregula hormônios.

Mudanças em hormônios, dos sexuais aos da tireoide, também podem afetar o metabolismo e desacelerar o gasto calórico. Ainda assim, os pesquisadores seguem tentando entender como essas descobertas se traduzem em tratamentos, por isso o achado deve ser lido como um avanço na compreensão do problema, e não como uma solução pronta. Quem tem dificuldade para emagrecer deve buscar acompanhamento com médico ou nutricionista, que pode avaliar as causas individuais e indicar o caminho mais seguro.

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