Ataques a redes de água triplicam em zonas de conflito; Gaza e Burkina Faso estão entre os mais afetados
Relatório do Unicef aponta que ataques a sistemas de água em conflitos triplicaram entre 2021 e 2025; Gaza e Burkina Faso estão entre os mais afetados.
Os ataques a redes de água em zonas de conflito triplicaram entre 2021 e 2025, segundo relatório do Unicef divulgado nesta quinta-feira (5). Para a agência da ONU, a destruição desses sistemas deixa as crianças ainda mais expostas a epidemias, desnutrição e violência.
O levantamento abrange 23 países e territórios, com dados de janeiro de 2021 a junho de 2026. Segundo o documento, os episódios se tornaram mais frequentes e mais diversificados, e atingem regiões cada vez mais amplas.
O relatório identifica sete tipos de ataques, entre eles bombardeios contra estações de tratamento, tubulações e poços, contaminação de fontes de água e restrições ao acesso a peças de reposição e a produtos químicos usados no tratamento da água.
Em Burkina Faso, mais de 145 pontos de abastecimento foram destruídos em ataques entre 2020 e 2025. Ainda segundo o Unicef, cerca de 830 mil pessoas ficaram sem acesso à água, e mais da metade delas são crianças.
Em Gaza, mais de 130 quilômetros de tubulações de esgoto foram danificados desde outubro de 2023, de acordo com o levantamento.
No leste do Chade, em campos de refugiados que recebem pessoas que fugiram da guerra no Sudão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) associou um surto de hepatite E à falta de água potável e de saneamento. Metade dos 2.092 casos suspeitos registrados entre janeiro e abril de 2024 envolvia crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.
O documento também registra crianças mortas, feridas ou vítimas de outras formas de violência enquanto aguardavam em filas para buscar água, inclusive em diversos episódios em Gaza.
Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, afirmou: “Os trabalhadores humanitários fazem tudo o que podem para manter o abastecimento de água apesar da multiplicação dos ataques. No entanto, os reparos não podem substituir a proteção dessas instalações, exigida pelo direito internacional humanitário.”
A agência pede que as partes em conflitos, governos, financiadores e organizações humanitárias tratem os sistemas de água, saneamento e higiene em áreas de conflito como infraestrutura indispensável à sobrevivência da população civil, sobretudo das crianças. O Unicef também defende acesso seguro, rápido e sem restrições para trabalhadores humanitários e para o transporte de equipamentos e insumos necessários ao funcionamento dos sistemas de água e energia.



