OMS apoia ensaios de duas novas vacinas contra o Ébola na RDC
A OMS apoia ensaios de duas novas vacinas contra o Ébola na RDC, voltadas à variante Bundibugyo, para a qual ainda não há imunizante aprovado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apoia ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o Ébola, anunciou nesta quarta-feira (4), em meio a um surto que já provocou mais de 5 300 mortes em vários países africanos.
O surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do Ébola para a qual ainda não existe nenhuma vacina aprovada. Por isso, o avanço dos testes ganha importância para a resposta à epidemia.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, grupos de peritos da organização recomendaram incluir duas candidatas no ensaio, desenvolvidas especificamente para o Bundibugyo. Ele falou a jornalistas durante uma coletiva de imprensa em Genebra.
As candidatas são desenvolvidas pela Universidade de Oxford em parceria com o Serum Institute of India e a Moderna. O estudo será liderado pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da República Democrática do Congo (RDC), com apoio de parceiros internacionais, incluindo a OMS.
Ao comentar o caso, Tedros afirmou que “as vacinas são ferramentas poderosas, mas não substituem as medidas comprovadas que podem salvar vidas agora”. Entre essas medidas, ele citou atendimento precoce, rastreamento de contatos, isolamento, funerais seguros e dignos e um diálogo de confiança com as comunidades.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelo governo congolês, referentes a 31 de outubro, o surto começou na RDC em maio e já infectou mais de 10 000 pessoas, com taxa de mortalidade superior a 50%. A OMS considera esta a epidemia de Ébola que mais rapidamente se expandiu e a mais disseminada já registrada.
Também houve casos no Quênia, na Nigéria e em Uganda, mas a RDC segue como epicentro, com 5 103 mortes reportadas no país.
Diante do avanço, Gana e Estados Unidos adotaram restrições de viagem para passageiros vindos da RDC. Tedros condenou essas medidas e pediu sua suspensão, argumentando que elas penalizam países que agem corretamente, desestimulam a transparência e prejudicam a resposta sanitária.
Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) compartilham essa posição e defendem, desde o início do surto, que restrições de viagem não sejam o principal instrumento de saúde pública em epidemias.



