Vitória, quarta-feira 4 de novembro de 2026
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Militares em Jacarta: Indonésia envia mais de 20 mil tropas após prisão de generais por escutas

Indonésia mobiliza mais de 20 mil militares em Jacarta após prisão de três generais suspeitos de grampear telefones de autoridades e jornalistas.

Por Roberto Andrade ·
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Silhueta de tropas de uniforme em fila diante de um skyline noturno de prédios, com uma viatura policial de luzes vermelhas e azuis acesas e uma fita de isolamento ao fundo sob um céu em degradê azul e alaranjado.
Ilustração: Repórter Capixaba

Desde segunda-feira (2), mais de 20 mil militares foram enviados a Jacarta, entre tropas e pessoal de apoio, segundo o assistente de operações da Marinha, vice-almirante Yayan Sofiyan. A mobilização acontece em meio a uma investigação sobre uma suposta operação de escutas telefônicas contra o presidente Prabowo Subianto.

Até o momento, três generais de alta patente da polícia foram detidos. Eles são acusados de grampear ilegalmente os telefones do presidente, de jornalistas, de políticos e de empresários. Entre os detidos está Listyo Sigit Prabowo, que não tem parentesco com o presidente e comandou a Polícia Nacional antes de assumir a chefia de gabinete da Presidência, no mês passado.

O Palácio Presidencial afirma que as escutas podem ser enquadradas como ato tendente à traição. As autoridades, porém, não confirmaram oficialmente que o envio de militares esteja ligado ao caso.

O porta-voz das Forças Armadas, major-general Muhammad Nas, disse que a movimentação de tropas segue um procedimento padrão para a manutenção da segurança nacional. Já o ministro sênior para Assuntos Jurídicos informou que o governo ainda não determinou o motivo das escutas.

Os suspeitos não se manifestaram publicamente sobre as acusações. Eles podem responder por vigilância ilegal, crime que pode levar a até 10 anos de prisão.

O criminólogo Adrianus Meliala, da Universidade da Indonésia e ex-comissário da Comissão Nacional de Polícia, avalia que há forte suspeita de que as escutas tenham servido a interesses de outros grupos, e não do Estado ou da Polícia Nacional. Segundo ele, ninguém esperava que Listyo Sigit Prabowo fosse alvo de uma investigação, e, se as acusações forem comprovadas, o caso poderá ser lido como manobra política, com consequências para quem atua na política.

O caso segue em apuração, e os próximos desdobramentos devem esclarecer o motivo das escutas, que ainda não foi determinado pelo governo.

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