Vitória, segunda-feira 2 de novembro de 2026
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Calor extremo pode eliminar 2,4 milhões de empregos na África até 2040

Estudo da OIT estima que o calor excessivo pode equivaler a 2,46 milhões de empregos perdidos na Etiópia, Gana e Senegal até 2040.

Por Roberto Andrade ·
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Paisagem africana sob sol intenso e céu alaranjado, com colinas secas ao fundo, uma figura genérica trabalhando ao centro e ondas de calor sobre o solo.
Ilustração: Repórter Capixaba

Quando o calor extremo torna o trabalho ao ar livre perigoso, a jornada encolhe e a renda diminui junto. Um novo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que esse efeito já pesa sobre a economia de Etiópia, Gana e Senegal, e tende a crescer até 2040.

Segundo a pesquisa, o estresse térmico nos locais de trabalho, associado à mudança climática, reduz as horas trabalhadas e afeta a produtividade. Só em 2023, as perdas de tempo de trabalho e de rendimento nos três países foram expressivas.

Na prática, as reduções de jornada equivalem a 2,46 milhões de empregos em tempo integral na região até 2040. Em termos econômicos, a projeção é de perda de US$ 67 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) dos três países no mesmo período.

Na Etiópia, mais de 1 milhão de empregos foram perdidos em 2023 por causa do calor no ambiente de trabalho, e cerca de três quartos dessas vagas eram na agricultura. Para 2040, a estimativa chega a 1,78 milhão de postos afetados.

Em Gana, o calor excessivo levou à perda de mais de 345 mil vagas, número que pode chegar a 550 mil até 2040. No Senegal, foram 72 mil postos de trabalho perdidos, e a previsão é de mais 129 mil na próxima década.

A agricultura e a construção civil estão entre os setores mais expostos, por causa do esforço físico. Mesmo assim, o prejuízo não fica restrito a eles: transportes, comércio, serviços e a economia informal também sentem os efeitos.

Por país, o estudo projeta perdas no PIB de US$ 33,3 bilhões na Etiópia, US$ 23,2 bilhões em Gana e US$ 10,5 bilhões no Senegal até 2040.

Para a diretora regional da OIT para a África, Fanfan Rwanyindo Kayirangwa, os dados mostram que o estresse térmico vai além da questão ambiental. “Proteger as pessoas do calor significa também resguardar meios de subsistência, empresas e a sustentabilidade de nossas economias”, afirmou.

Entre as medidas recomendadas pela OIT estão o ajuste dos horários de trabalho para evitar os períodos mais quentes do dia, a introdução de ciclos de descanso e o fortalecimento da fiscalização. A proposta busca proteger tanto a saúde dos trabalhadores quanto a renda que depende do seu trabalho.

O recado do estudo é que a adaptação ao calor nos locais de trabalho deve entrar na pauta econômica dos países, e não apenas na agenda ambiental.

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