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Fóssil esquecido em museu revela nova espécie de dinossauro europeu

Fóssil encontrado em 2001 e guardado em museu foi identificado como nova espécie de dinossauro herbívoro que viveu no sul da Inglaterra.

Por Roberto Andrade ·
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Fóssil esquecido em museu revela nova espécie de dinossauro europeu
Arte: Repórter Capixaba

Um fóssil encontrado em 2001 e guardado em um museu de História Natural acaba de ser identificado como uma nova espécie de dinossauro europeu. A descoberta foi descrita em artigo da revista Journal of Systematic Palaeontology e trata de um herbívoro que viveu no sul da Inglaterra há cerca de 125 milhões de anos, no Período Cretáceo Inferior.

O exemplar foi recolhido sob uma fábrica e levado para o acervo do museu, onde acabou esquecido entre outros fósseis de iguanodontianos, grupo de dinossauros conhecido pelos espinhos na região dos polegares.

O interesse por esse grupo voltou com força nos últimos anos. Fósseis do sul da Inglaterra atribuídos ao Iguanodon ou ao seu parente menor, o Mantellisaurus, passaram a ser reavaliados depois de um estudo de 2023 apontar características que pediam explicação melhor. Desde então, vários iguanodontianos recém-nomeados foram descritos, e a análise de exemplares guardados em diversos museus ganhou novo impulso.

A nova espécie recebeu o nome de Paludohadros proudlovii. O termo genérico vem do latim palus, que significa pântano, em referência ao ambiente lamacento em que o animal viveu. O nome da espécie homenageia Will Proudlove, paleontólogo especializado em fósseis que faleceu recentemente.

Segundo a pesquisa, o Paludohadros era um herbívoro quadrúpede com cerca de 5 metros de comprimento e mais de 1,5 tonelada de peso em média, uma silhueta comparável à de um rinoceronte. O fóssil, porém, pertence a um indivíduo jovem, e um adulto poderia ter até o dobro desse tamanho.

O animal dividia a paisagem com outros dinossauros, entre eles o Baryonyx walkeri, carnívoro bípede descoberto em 1983 na Ewhurst Works. De acordo com Susannah Maidment, autora e professora ligada ao Museu de História Natural de Londres e à Universidade de Birmingham, o fóssil do herbívoro foi encontrado a apenas 100 metros de distância do Baryonyx, cujos restos também estão nesse museu.

Os restos do Baryonyx tinham vestígios de um iguanodontiano como última refeição, o que indica que os dois animais podem ter mantido uma relação próxima. Os paleontólogos seguem reexaminando fósseis guardados em diversos museus, e a reanálise deve continuar nos próximos anos, com potencial para identificar outras espécies.

O caso mostra como coleções antigas ainda podem guardar respostas sobre a vida pré-histórica. Exemplares classificados há décadas, com o conhecimento da época, seguem sendo revistos à luz de novas comparações.

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