Vitória, sexta-feira 23 de outubro de 2026
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Câncer infantojuvenil: sintomas persistentes exigem investigação precoce para aumentar as chances de cura

Cansaço persistente, manchas roxas e perda de peso podem indicar câncer infantil; identificação precoce aumenta as chances de cura.

Por Roberto Andrade ·
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Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028. O diagnóstico precoce faz diferença: quando a doença é identificada cedo e tratada em centros especializados, até 80% dos pacientes podem ser curados.

O câncer já é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Por isso, a atenção de pais e responsáveis a sinais que parecem comuns da infância pode ser decisiva.

De acordo com a oncologista pediátrica Mariana Bohns Michalowski, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), os sintomas costumam ser inespecíficos e podem ser confundidos com problemas comuns da infância.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão cansaço e palidez persistentes, manchas roxas sem motivo aparente, dores que não melhoram, aumento de gânglios, perda de peso, inchaços, alterações neurológicas, vômitos persistentes e dores de cabeça frequentes.

A médica ressalta que a presença desses sintomas não significa, por si só, que a criança tenha câncer. O ponto central é a persistência: quando os sinais não desaparecem, a investigação deve ser feita.

Como esses tumores não podem ser prevenidos com mudanças de hábitos nem com programas de rastreamento populacional, o reconhecimento precoce dos sinais ganha ainda mais peso. Somados a uma avaliação clínica adequada e a um encaminhamento ágil para serviços especializados, eles aumentam as chances de sucesso do tratamento.

Segundo a especialista, o câncer infantojuvenil tem características biológicas bem diferentes do câncer em adultos, e a distribuição dos tipos varia conforme a idade. Os tumores costumam crescer rapidamente e derivar de células embrionárias ou imaturas, o que os torna altamente sensíveis à quimioterapia. Em centros especializados, as taxas globais de cura ultrapassam 80%.

O tratamento usa as mesmas modalidades do câncer em adultos, como quimioterapia, cirurgia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, mas não consiste em aplicar protocolos de adultos em doses reduzidas. Como crianças e adolescentes seguem em desenvolvimento físico, cognitivo, endócrino e reprodutivo, a radioterapia é usada com muito critério em crianças muito pequenas, e os esquemas de quimioterapia buscam reduzir riscos de longo prazo, como problemas cardíacos, infertilidade e segundos tumores.

O cuidado também depende de uma equipe multidisciplinar, com oncologistas e cirurgiões pediátricos, intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e pedagogos. Após o fim do tratamento, o acompanhamento pode continuar por décadas, monitorando a saúde cardiovascular, hormonal, funcional e psicológica dos sobreviventes.

O diagnóstico também atinge toda a família. Para a médica, pais e cuidadores precisam equilibrar o apoio ao paciente com a preservação da própria saúde mental. A comunicação deve ser honesta e adaptada à idade, explicando a doença, as etapas do tratamento e os motivos de eventuais internações ou isolamentos.

Também é importante manter a rotina e a identidade da criança, com regras básicas de convivência, momentos de lazer, contato seguro com amigos e acompanhamento pedagógico no hospital ou em casa. A especialista lembra que cuidadores fatigados têm menos capacidade de oferecer apoio afetivo, por isso precisam cuidar também de si mesmos.

Para o leitor, a recomendação central é simples: se um sinal persistir sem explicação, procure o pediatra e peça avaliação. Quanto antes o caso chegar a um serviço especializado, maiores tendem a ser as chances de um tratamento bem-sucedido.

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