Consumo de ovos no Brasil bate recorde e reforça protagonismo de Santa Maria de Jetibá, capital nacional da produção

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O consumo de ovos no Brasil deve atingir um novo recorde em 2026. A previsão é que cada brasileiro consuma, em média, 307 unidades ao longo do ano, volume 6,6% superior ao registrado em 2025. A estimativa reflete uma mudança consolidada nos hábitos alimentares do país e fortalece ainda mais regiões produtoras como Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, considerada a Capital Nacional do Ovo.

A projeção foi divulgada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, e confirma uma tendência de crescimento observada nos últimos anos. O ovo vem ganhando espaço na mesa dos brasileiros por reunir atributos que pesam cada vez mais no orçamento das famílias: alto valor nutricional, praticidade e preço mais acessível em comparação a outras proteínas de origem animal.

A evolução do consumo é expressiva. Há pouco mais de uma década, a média nacional girava em torno de 170 ovos por habitante ao ano. Em 2020, esse número ultrapassou 250 unidades e continuou avançando até se aproximar da marca histórica de 300 ovos anuais. Agora, a expectativa é que o país ultrapasse esse patamar pela primeira vez.

O crescimento da demanda acompanha o aumento da produção nacional. Em 2025, o Brasil produziu 59,44 bilhões de ovos, o equivalente a 4,95 bilhões de dúzias, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Desse total, quase 99% permaneceram no mercado interno, demonstrando a força do consumo doméstico como principal motor da cadeia produtiva.

Espírito Santo é referência nacional

Quando o assunto é produção de ovos, o Espírito Santo ocupa posição de destaque no cenário nacional. O estado abriga um dos maiores polos avícolas do país, liderado por Santa Maria de Jetibá, município que se tornou referência nacional em avicultura de postura.

A atividade é a principal força econômica local e movimenta milhares de empregos diretos e indiretos, envolvendo produtores rurais, cooperativas, transportadoras, indústrias de ração e empresas ligadas à cadeia de distribuição. O município é reconhecido por sua elevada produtividade e pelo investimento contínuo em tecnologia, manejo e bem-estar animal.

O crescimento do consumo nacional tende a gerar reflexos positivos para a economia capixaba. Com a demanda aquecida, produtores encontram um ambiente mais favorável para ampliar investimentos, modernizar estruturas e aumentar a capacidade produtiva.

Rentabilidade melhora nas granjas

Além do aumento das vendas, o setor vive um momento de recuperação das margens de lucro. Segundo o levantamento do Etene, os principais insumos utilizados na atividade, especialmente milho e farelo de soja, apresentaram estabilidade ou queda nos preços nos primeiros meses de 2026.

Ao mesmo tempo, o valor pago pela caixa de ovos registrou aumento superior a 30%, melhorando a rentabilidade dos produtores. O cenário é considerado um estímulo para novos investimentos e expansão da atividade em diversas regiões do país.

Nordeste amplia participação

Embora o Espírito Santo seja uma referência nacional, outras regiões também vêm ampliando sua participação na produção brasileira. O Nordeste produziu 10,83 bilhões de ovos em 2025, crescimento de 6,75% em comparação ao ano anterior, respondendo por cerca de 18% do total nacional.

Estados como Pernambuco, Ceará e Bahia lideram essa expansão. O avanço é impulsionado pela modernização das granjas e pela maior disponibilidade de insumos agrícolas provenientes de regiões produtoras de milho e soja, fundamentais para a alimentação das aves.

Exportações ganham espaço

O mercado interno continua absorvendo praticamente toda a produção brasileira, mas as exportações também começam a apresentar crescimento relevante. No primeiro quadrimestre de 2026, as exportações nordestinas de ovos destinados ao consumo aumentaram 157,2% em volume e 136,7% em receita.

Embora ainda representem uma parcela pequena do setor, os embarques internacionais mostram que a cadeia produtiva brasileira possui potencial para ampliar sua presença em mercados externos.

Enquanto isso, o consumo doméstico segue sendo o grande sustentáculo da atividade. E, se as projeções forem confirmadas, 2026 ficará marcado como o ano em que o ovo consolidou de vez sua posição entre os alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros — uma boa notícia para produtores de todo o país e especialmente para Santa Maria de Jetibá, que continua liderando uma das atividades mais importantes do agronegócio capixaba.

Consumo ideal

Não existe um consumo ideal anual de ovos estabelecido por autoridades de saúde. O que existe são recomendações de ingestão de proteínas e padrões alimentares saudáveis. A quantidade de ovos varia conforme idade, estado de saúde e o restante da dieta.

Hoje, o consenso científico é bem diferente do que se acreditava há algumas décadas:

  • Para pessoas saudáveis, consumir 1 ovo por dia (365 por ano) é considerado seguro e compatível com uma alimentação equilibrada.
  • Diversos estudos mostram que até 2 ovos por dia (730 por ano) podem fazer parte de uma dieta saudável para muitas pessoas, especialmente quando o restante da alimentação é rico em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas.
  • Pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes ou hipercolesterolemia devem seguir orientação individualizada de médico ou nutricionista, embora pesquisas recentes indiquem que o colesterol presente no ovo tem impacto menor sobre o colesterol sanguíneo do que se imaginava.

O consumo do brasileiro está dentro do recomendado?

A projeção de 307 ovos por habitante em 2026 equivale a:

  • 25,6 ovos por mês
  • 5,9 ovos por semana
  • 0,84 ovo por dia

Ou seja, menos de um ovo por dia, um patamar que está plenamente compatível com as recomendações atuais para a população saudável.