O comércio varejista brasileiro voltou a ganhar fôlego em novembro e registrou crescimento de 1,0% nas vendas em relação a outubro, já descontados os efeitos sazonais. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma uma retomada gradual do consumo no país e ganha contornos ainda mais positivos no Espírito Santo, que apresentou desempenho superior ao da média nacional no período.
Na comparação com novembro do ano anterior, o volume de vendas do varejo avançou 1,3%. Com isso, o setor acumula alta de 1,5% no ano e também de 1,5% nos últimos 12 meses. O resultado reforça a leitura de que, apesar das restrições impostas pelos juros elevados e pelo orçamento mais apertado das famílias, o consumo segue reagindo, ainda que de forma moderada.
O crescimento observado em novembro foi relativamente disseminado. Sete das oito atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram variação positiva frente ao mês anterior. Entre os destaques estão os segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria. Esses setores têm se beneficiado tanto da recomposição gradual da renda quanto de uma demanda mais estável por bens essenciais e produtos ligados à tecnologia.
No Espírito Santo, os dados da Pesquisa Mensal de Comércio mostram um cenário mais favorável. O estado registrou alta expressiva nas vendas em novembro na comparação com outubro, posicionando-se entre os melhores resultados do país no período. O desempenho capixaba indica um comércio mais aquecido, sustentado principalmente pelo consumo das famílias e pela maior dinâmica de alguns polos regionais.
Na leitura de técnicos do IBGE, esse resultado reflete características próprias da economia estadual, como a diversificação das atividades comerciais e a capacidade de resposta do varejo local mesmo em um ambiente econômico ainda desafiador. Em outras palavras, enquanto o Brasil avança em ritmo cauteloso, o comércio capixaba consegue acelerar um pouco mais.
Apesar do avanço, o próprio IBGE pondera que o crescimento do varejo segue limitado. No varejo ampliado — que inclui veículos, motos, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios — o desempenho é mais irregular, com segmentos ainda apresentando dificuldades. Isso mostra que a recuperação do consumo não é homogênea e segue dependente de fatores como crédito, renda e confiança do consumidor.
Ainda assim, o resultado de novembro é visto como um sinal positivo. Para o Espírito Santo, em especial, os números reforçam a resiliência do comércio e ajudam a sustentar a atividade econômica no fim do ano. Não é uma virada brusca de cenário, mas é um passo consistente. E, no varejo, passos firmes costumam valer mais do que saltos arriscados.
