Os preços da gasolina, do etanol e do café ajudaram a puxar para baixo o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que recuou 0,5% em junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Conhecido por servir de referência para o reajuste de muitos contratos de aluguel, o indicador voltou ao campo negativo pela primeira vez desde fevereiro e surpreendeu o mercado, que esperava uma leve alta no período.
O resultado foi influenciado principalmente pela queda das commodities energéticas e agrícolas. No varejo, a gasolina caiu 1,29%, o etanol recuou 5,61% e o café em pó ficou 2,57% mais barato. No atacado, também houve forte retração nos preços do café em grão, do minério de ferro, do óleo diesel e da cana-de-açúcar, refletindo o aumento da oferta agrícola e a acomodação das cotações internacionais de matérias-primas.
O economista Matheus Dias, da FGV, avalia que os preços das commodities energéticas e minerais retornaram a níveis próximos aos observados antes das tensões no Oriente Médio, enquanto as boas safras agrícolas ampliaram a oferta de produtos como café e cana-de-açúcar. Parte dessa redução nos custos de produção, segundo ele, começou a chegar ao consumidor por meio dos combustíveis e de alguns alimentos.
Mesmo com a deflação em junho, o IGP-M acumula alta de 3,27% no primeiro semestre e de 3,16% nos últimos 12 meses. O índice continua sendo amplamente utilizado para reajustar contratos de aluguel, além de tarifas públicas e contratos de prestação de serviços. A desaceleração registrada neste mês pode aliviar parte da pressão sobre esses reajustes, embora a trajetória dos próximos meses continue dependente do comportamento das commodities, do câmbio e da inflação ao consumidor.
