O desaparecimento das abelhas já ameaça a saúde humana, alertam cientistas

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Há quanto tempo você não vê uma abelha? Agora, imagine um mundo com menos frutas, menos verduras e alimentos mais caros. Esse cenário pode parecer distante, mas já preocupa pesquisadores em diferentes partes do planeta. O que uma coisa tem a ver com a outra? Sem abelhas, o mundo perde o seu principal polinizador e aí uma coisa leva a outra.

O desaparecimento gradual das abelhas e de outros polinizadores não representa apenas uma ameaça à natureza. Cada vez mais estudos mostram que essa crise também pode afetar diretamente a saúde humana, a qualidade da alimentação e a renda de milhões de agricultores. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Nature reforça esse alerta com dados concretos.

Segundo o estudo, divulgado pelo jornal The Guardian, a redução das populações de polinizadores pode provocar consequências que vão muito além da queda na produção agrícola. Em algumas comunidades, ela já está associada à diminuição do consumo de nutrientes essenciais para a saúde.

Quando faltam abelhas, faltam nutrientes

A pesquisa foi realizada em Jumla, uma região montanhosa e isolada do Nepal, onde a maior parte da população depende da agricultura para sobreviver.

Durante um ano, cientistas acompanharam a alimentação das famílias, a produção agrícola e a atividade dos polinizadores em dez comunidades rurais. Os resultados chamaram a atenção: as abelhas e outros insetos polinizadores foram responsáveis por mais de 20% da ingestão de vitamina A, vitamina E e folato da população estudada.

Na prática, isso significa que uma redução significativa desses insetos pode tornar mais difícil o acesso a nutrientes fundamentais para o funcionamento do organismo, especialmente em regiões onde há poucas alternativas alimentares.

Além disso, os pesquisadores calcularam que os polinizadores contribuíam para cerca de 44% da renda agrícola local. Ou seja, a perda desses insetos também representa uma ameaça econômica para milhares de famílias.

Muito mais do que produtoras de mel

Quando se fala em abelhas, muita gente pensa imediatamente no mel. Mas o papel desses insetos é muito maior.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que cerca de 75% das culturas agrícolas utilizadas na produção de alimentos dependem, ao menos em parte, da polinização realizada por animais.

Frutas, legumes, castanhas, sementes e diversas hortaliças só conseguem manter altos níveis de produtividade graças ao trabalho silencioso realizado por abelhas, borboletas, besouros, morcegos e aves.

Sem eles, a oferta desses alimentos diminui. Como consequência, a alimentação tende a ficar menos diversificada e menos nutritiva.

Um problema global e silencioso

O declínio dos polinizadores é observado em várias regiões do mundo. Cientistas apontam uma combinação de fatores para explicar o fenômeno.

Entre os principais estão a destruição de habitats naturais, o uso excessivo de pesticidas, a expansão da agricultura intensiva, a poluição e os impactos das mudanças climáticas.

O problema preocupa porque muitas espécies de abelhas silvestres já apresentam sinais de redução populacional. Algumas enfrentam risco real de desaparecer em determinadas regiões.

Para os especialistas, a situação exige atenção urgente. Afinal, a perda desses insetos afeta toda a cadeia alimentar e compromete a capacidade dos ecossistemas de se manterem equilibrados.

O impacto pode chegar à mesa de todos

Embora comunidades rurais e países mais pobres sejam os mais vulneráveis, os efeitos não ficam restritos a essas áreas.

Menos polinizadores significam menor produção agrícola. Com menor oferta, os preços tendem a subir. E, quando frutas, verduras e alimentos frescos ficam mais caros, a população passa a consumir produtos menos nutritivos.

Pesquisas internacionais já relacionaram a redução da polinização a centenas de milhares de mortes por ano associadas a doenças ligadas à alimentação inadequada.

Por isso, cientistas afirmam que proteger as abelhas deixou de ser apenas uma questão ambiental. Trata-se também de uma medida de saúde pública.

Um alerta que não pode ser ignorado

As abelhas trabalham longe dos holofotes. Não fazem barulho suficiente para chamar atenção da maioria das pessoas. Ainda assim, ajudam diariamente a colocar comida na mesa de bilhões de seres humanos.

O estudo publicado na Nature reforça uma mensagem que os cientistas vêm repetindo há anos: quando os polinizadores desaparecem, os impactos não ficam restritos aos campos e florestas. Eles chegam às cidades, aos supermercados e aos pratos das famílias.

Proteger esses insetos significa proteger a produção de alimentos, a economia rural e, sobretudo, a saúde das futuras gerações.