Internet chega a 95% dos lares no Espírito Santo, mas computador perde espaço e streaming avança

O acesso à internet está cada vez mais próximo de se tornar realidade para praticamente todos os lares brasileiros. No Espírito Santo, 95,1% dos domicílios já estavam conectados em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual representa um avanço em relação aos 93,3% registrados em 2024 e acompanha uma tendência nacional: em todo o país, 95% das residências contam com acesso à rede, enquanto mais de 90% da população com 10 anos ou mais utiliza a internet.

Os números revelam que o acesso à internet deixou de ser um diferencial para se tornar um serviço essencial. No Espírito Santo, cerca de 1,524 milhão de domicílios utilizavam a rede em 2025. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos anos, o próprio IBGE avalia que isso ocorre porque o Estado se aproxima da universalização do acesso, restando um contingente cada vez menor de residências desconectadas. Em nível nacional, a pesquisa mostra que aproximadamente 168,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais acessaram a internet em 2025, o equivalente a 90,5% dessa população.

O levantamento também mostra uma transformação silenciosa dentro das casas capixabas. Quase um em cada cinco domicílios conectados (19,9%) já possui algum dispositivo inteligente ligado à internet, como câmeras de segurança, lâmpadas, caixas de som, eletrodomésticos ou aparelhos de ar-condicionado. Apesar disso, houve uma redução em relação ao ano anterior: eram cerca de 334 mil residências com esses equipamentos em 2024, número que caiu para 304 mil em 2025, fazendo o Espírito Santo perder posições no ranking nacional de casas conectadas com dispositivos inteligentes.

Enquanto a conectividade avança, alguns equipamentos tradicionais continuam perdendo espaço. A presença de microcomputadores caiu de 39,5% para 36,8% dos domicílios capixabas entre 2024 e 2025, reforçando uma tendência observada nos últimos anos de substituição do computador pelo smartphone em diversas atividades do cotidiano. O telefone fixo segue o mesmo caminho: estava presente em apenas 3,1% das residências do Estado, contra 4,1% no ano anterior. Em contrapartida, o celular já faz parte da rotina de praticamente toda a população, estando presente em 98% dos domicílios capixabas.

A televisão continua sendo um dos equipamentos mais presentes nas residências. Em 2025, ela estava em 95,5% dos lares do Espírito Santo, mas o perfil desse consumo mudou. As antigas TVs de tubo praticamente desapareceram, presentes em apenas 2,4% dos domicílios com televisão, enquanto os aparelhos de tela fina alcançaram 98,3%. Além disso, o streaming segue ganhando espaço: 48,4% dos domicílios com televisão já pagam por plataformas de vídeo sob demanda, o equivalente a cerca de 741 mil residências. A TV por assinatura também apresentou uma leve recuperação e passou a atender 28,5% dos lares com televisão, após anos de queda.

Outro dado chama atenção para a mudança na forma de assistir televisão. Cerca de 88,8% das residências capixabas com TV recebem sinal aberto, analógico ou digital, enquanto a utilização de antenas parabólicas continua diminuindo. O processo acompanha a substituição das antigas parabólicas pelas miniparabólicas compatíveis com o sinal digital, cuja migração foi concluída nacionalmente no fim de 2025 em razão da expansão da tecnologia 5G.

No cenário nacional, a pesquisa aponta que o avanço da conectividade também reduziu diferenças históricas entre áreas urbanas e rurais. O acesso à internet chegou a 95,8% dos domicílios urbanos e a 88% das residências rurais. Apesar da expansão, a exclusão digital ainda persiste entre parte da população, principalmente entre pessoas idosas ou com menor escolaridade. Segundo o IBGE, o principal motivo apontado pelos brasileiros que ainda não utilizam a internet continua sendo a falta de conhecimento sobre como acessar ou utilizar a tecnologia, seguida por preocupações relacionadas à privacidade e à segurança no ambiente digital.

Os resultados reforçam que o desafio brasileiro deixou de ser apenas ampliar a infraestrutura de conexão. Com a internet presente em praticamente todos os domicílios, o próximo passo passa pela inclusão digital, pela educação tecnológica e pelo uso qualificado das ferramentas digitais, fatores considerados essenciais para ampliar oportunidades de trabalho, educação, acesso a serviços públicos e participação na economia digital.